Aviação

Após fragmentos de avião caírem sobre casas nos EUA, Boeing imobiliza frota com mesmo motor

Companhia americana havia "recomendado" na noite de domingo a suspensão dos voos desse tipo de aeronave

Boeing 777Boeing 777 - Foto: Daniel Slim/AFP

Os 128 aviões Boeing 777, equipados com o modelo de motor envolvido em um perigoso incidente com uma aeronave que decolou do Colorado, foram imobilizados no solo, informou, nesta segunda-feira (22), à AFP uma porta-voz da empresa.

A companhia americana havia "recomendado" na noite de domingo a suspensão dos voos desse tipo de aeronave.

A companhia aérea americana United Airlines, vítima do incidente, as duas grandes empresas japonesas ANA e JAL, e a sul-coreana Asiana Airlines, já haviam anunciado entre domingo e segunda-feira a imobilização de suas aeronaves deste tipo.

A Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA) ordenou no domingo inspeções adicionais em alguns aviões do modelo Boeing 777.

O Bureau de Transportes e Segurança dos Estados Unidos também investiga o incidente, no qual não houve feridos.

"Enquanto a investigação continua, recomendamos suspender as operações das 69 aeronaves 777 em serviço e das 59 aeronaves de reserva equipadas com motores Pratt & Whitney 4000-112", declarou no domingo a Boeing.

Por sua vez, o O Reino Unido decidiu proibir seu espaço aéreo aos 777 equipados com o motor em questão, anunciou nesta segunda o ministro britânico dos Transportes.

"Após os problemas neste fim de semana, os Boeing 777 equipados com motores Pratt & Whitney 4000-112 serão temporariamente banidos do espaço aéreo britânico", disse Grant Shapps no Twitter. 

A autoridade da aviação civil britânica especificou que essas aeronaves não eram utilizadas por empresas britânicas.

A United Airlines afirmou que retirou voluntariamente 24 aeronaves Boeing 777 de serviço e espera que a mudança "atrapalhe apenas um pequeno número de clientes".

A Japan Airlines (JAL) e a All Nippon Airways (ANA) anunciaram que aterraram 13 e 19 aeronaves com motores PW4000, respectivamente, mas não cancelaram nenhum voo porque substituíram essas aeronaves por outras. 

O Ministério dos Transportes do Japão disse que ordenou inspeções mais rigorosas depois que um avião JAL 777 que cobria a rota de Tóquio a Naha, na ilha de Okinawa, sofreu problemas com "um motor da mesma família" em dezembro. 

O Ministério dos Transportes da Coreia do Sul, por sua vez, disse nesta segunda que não tinha a intenção de aterrar aviões no momento, mas que estava monitorando a situação. 

Mas a Asiana Airlines, a segunda maior empresa da Coreia do Sul, já decidiu não usar os sete Boeing 777 que possui. 

Quanto a Korean Air, a principal companhia aérea do país, que inicialmente disse à AFP que havia aterrado seus seis Boeing 777 equipados com motores PW4000, declarou que aguarda instruções oficiais dos reguladores sul-coreanos. 

Em uma declaração postada no Twitter, Steve Dickson, administrador da FAA, explicou que após consultar sua equipe de especialistas em segurança aérea, ordenou que emitissem "uma diretriz de aeronavegabilidade de emergência que exigirá inspeções imediatas ou intensificadas das aeronaves Boeing 777 equipadas com motores Pratt & Whitney PW4000".

Duro golpe após problemas do 737 MAX 
Um Boeing 777-220 da United Airlines que havia decolado no sábado de Denver, Colorado, com destino a Honolulu (Havaí) com 231 passageiros e 10 tripulantes, teve que retornar depois que seu motor direito pegou fogo.

A aeronave conseguiu pousar com segurança no aeroporto de Denver e nenhum de seus ocupantes ficou ferido.

Moradores do subúrbio de Broomfield encontraram grandes pedaços do avião espalhados pelo bairro, incluindo uma peça circular gigante de metal que caiu no quintal de um vizinho.

A fabricante de aeronaves americana teve sérios problemas nos últimos anos com outro de seus modelos, o 737 MAX. O avião foi proibido de voar em março de 2019 após dois acidentes que deixaram 346 mortos, o da Lion Air na Indonésia em outubro de 2018 (189 mortes) e o da Ethiopian Airlines, em março de 2019, na Etiópia (157 mortes).

Decorridos mais de 20 meses, e após a modificação do programa de comando de voo e a implantação de novos protocolos no treinamento de pilotos, foi autorizada a retomada dos voos da aeronave, a partir de dezembro de 2020. 

A pandemia de covid-19 e suas desastrosas consequências no transporte aéreo internacional levaram ao cancelamento de encomendas de centenas de aeronaves.

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