Após maus-tratos, cão Coragem faz show circense em semáforo do Recife; veja vídeo

Depois de ser espancado por antigo dono, Coragem se descobriu equilibrista e encontra abrigo em chapéu

Rafael Olímpio, 42, viaja a América do Sul de ônibus com o companheiro de apresentações Rafael Olímpio, 42, viaja a América do Sul de ônibus com o companheiro de apresentações  - Foto: José Brito

Há dois anos viajando com o cão Coragem pela América do Sul em busca de paz e dinheiro, Rafael Olímpio, 42, chegou ao Recife na semana passada e parte esta sexta-feira (7). Leva somente uma mochila com todos os pertences, os seus e os do cachorro equilibrista com o qual realiza uma apresentação circense no semáforo da rua Madre de Deus, no Bairro do Recife, região central da Cidade. Nela, o cão se equilibra na cabeça de Rafael enquanto ele joga malabares. Coragem, por pouco, não teve o mesmo destino do cachorro que teria sido assassinado diante do Carrefour em São Paulo na semana passada.

Até um ano e meio, o cão viveu com um homem viciado em crack. Ele batia no animal para forçar a esposa a lhe dar dinheiro. Foi levado pela mulher a uma feira de adoção numa rua em Ubatuba, no litoral paulista, onde Rafael o encontrou. “Não me interessei na primeira vez que passei por ele. Mas, na volta, perguntei porque ele estava capengo e, quando ouvi a resposta, peguei na hora, com o intuito de encontrar uma família para ele.”

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Rafael levou o novo amigo na aventura que já tinha decidido viver. Deixar a vida de marceneiro que levava há sete anos e voltar a trabalhar com malabares. É formado pela Escola Nacional de Circo desde 1999. “Estava tendo muita dor de cabeça. Só que ganhando menos do que quando trabalhava com arte circense e produção de eventos. Resolvi que faria malabares nos sinais. Mas Ubatuba tem quatro sinais e mais de 20 malabaristas. Vendi meu celular e fui com Coragem para Paraty, no Rio de Janeiro.” Dali para o chapéu do artista, foi um pulo - ou melhor, uma escaladinha. Estavam no mar, em Paraty, quando o cão subiu nas suas costas.



“Na noite anterior, ele tinha sentado junto de uns turistas comendo espetinho e levantou as patinhas da frente. Ganhou comida, claro. Achei aquilo de uma malandragem circense... Quando ele me escalou, tive certeza. Aí, resolvi equilibrar na minha cabeça, de brincadeira, e ele ficou. Depois começamos a trabalhar juntos. E as dores de cabeça acabaram.” Além de São Paulo e Rio, Coragem já conheceu, no Brasil, o Paraná, Minas Gerais e Bahia, além dos países vizinhos Argentina e Paraguai. Hoje parte para Olinda, ainda em Pernambuco, depois para a Paraíba. “Quero ir pelo litoral até a Colômbia. E, lá, descobrir como chegar à Costa Rica, onde há um local de trabalho voluntário com preguiças que aceita animais. Para onde eu for, ele vai junto”, planejou.

Rafael tem todos os documentos necessários para que Coragem viaje nos ônibus. Estudou os livros de psicologia canina de César Milan, o Encantador de Cães, e foi criada uma relação em que o bicho o enxerga como se fosse o chefe da sua matilha. Aquele que lhe nutre, protege, mas a quem se deve obediência e se segue. E é mesmo assim. Coragem atende de imediato a qualquer assobio. Na Madre de Deus, quem passa diz que eles se parecem, até nas expressões.

O carinho que trocam chama a atenção dos espectadores. Mas, à noite, parece outro animal. Fica violento, segundo Rafael, que acredita que era o horário em que sofria os maus-tratos. A estada no Recife foi curta porque, segundo Rafael, as pessoas só dão dinheiro quando o cachorro está na sua cabeça. “Eu gosto que ele participe pouco e, normalmente, trabalho sozinho com ele por perto, olhando. Mas, em algumas cidades, como é o caso do Recife, o malabares por si só não rende. Aí prefiro ir embora”, explicou.

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