Após prisão na Rússia, pesquisador ganha, no Recife, liberdade condicional. "Jesus me levantava", di

Toque de recolher e prestação de esclarecimentos à Justiça Federal sobre seu paradeiro são algumas das exigências da liberdade condicional

Eduardo Chianca após audiência na Justiça Federal em PernambucoEduardo Chianca após audiência na Justiça Federal em Pernambuco - Foto: Rafael Furtado/Folha de Pernambuco

A Justiça Federal em Pernambuco decidiu pela liberdade condicional do pesquisador e engenheiro paraibano Eduardo Chianca, que passou dois anos detido na Rússia acusado de tráfico de drogas, por estar, na bagagem, com quatro garrafas de ayahuasca, chá utilizado em terapias e rituais indígenas brasileiro e conhecido como Santo Daime. Em audiência realizada na manhã desta sexta-feira (7) no Recife, ficou decidido que Chianca,  só poderá viajar com autorização da juíza Carolina Malta, da 36ª vara.

Eduardo Chianca ainda deverá se recolher diariamente às 22h e comparecer pelo menos uma vez por mês à Justiça Federal, bem como informar qualquer mudança de endereço - a residência da família é em Aldeia, Camaragibe, na Região Metropolitana do Recife (RMR). As decisões valem até 30 de agosto de 2019.

"É uma decisão correta. justa. Estou muito feliz. As autoridades que julgaram o caso agiram de acordo com a lei e com bondade. Muito rápido também. Só tenho que agradecer", comemorou Eduardo Chianca ao deixar a audiência, no fim da manhã.

O paraibano chegou a se emocionar ao falar do tempo em que esteve preso na Rússia. "Quem me ajuda é Jesus, que me levantava. No início foi assim, era uma prova de fé, e essa prova eu venci. Porque eu caía e levantava. Então, eu falo para todos, que tenham uma fé no divino, que a gente chama de Deus, porque ninguém sabe o que é Deus, mas ele é real. E a oração que as pessoas emitem para você você recebe.", disse à imprensa, Chianca, com lágrimas nos olhos.

À saída da audiência, a mineira Patrícia Junqueira, esposa de Chianca, era só alegria e agradecimento diante do desfecho do caso. "Após uma trajetória tão longa, de tanta dor, sofrimento, a gente sabia que este dia ia chegar, e é uma alegria imensa", afirmou. Citando que, durante esse dois anos tratou de viver "um dia de cada vez", ela fez questão de agradecer a todas as autoridades envolvidas na volta do pesquisador. "Este período difícil seria muito pior se não tivesse tido a sorte e a graça de ter conhecido o Brasil que funciona. A gente tem muitos excelentes profissionais em vários órgãos", disse, citando, entre outros, a Polícia Federal e o Itamaraty. "Nossa gratidão a todos eles".



Chianca voltou ao Brasil na noite dessa quinta-feira (6), acompanhado de policiais federais de Pernambuco e de Brasília em um voo que saiu de Lisboa e pousou por volta das 21h30 na capital pernambucana. Ele contou que, dentro das condições da prisão na Rússia, ele foi tratado "com decência" durante o período em que esteve detido no país. 

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Segundo a defensora pública da União Marília Milfont, o desfecho do caso é bastante positivo. As negociações com o governo russo datam desde março de 2017. A defensora explicou que o Brasil e a Rússia são estados soberanos e, portanto, a Justiça brasileira não pode entrar no mérito da decisão tomada pela Justiça russa. "A competência aqui é simplesmente determinar a forma de cumprimento desse período remanescente de pena", explicou.

Como parte das negociações, foi assinado um termo de reciprocidade entre os países, de maneira que, caso venha a ocorrer de um cidadão russo ser condenado no Brasil, ele poderá cumprir sua pena na Rússia, junto aos seus familiares.


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