Após protestos em vários trechos, tráfego de veículos na BR-232 é liberado

Em Escada, na BR-101, a rodovia permanece bloqueada no sentido inerior

Grupo de Mulheres Unidas Contra Bolsonaro é hackeadoGrupo de Mulheres Unidas Contra Bolsonaro é hackeado - Foto: Print de Facebook

A rodovia BR-232 permaneceu com vários trechos bloqueados no início da manhã desta sexta-feira (25). De acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), trabalhadores fecharam ambos os sentidos da via nos quilômetros 27, em Moreno, e 51, em Vitória de Santo Antão. Por volta das 11h, ambos os trechos foram liberados.

Permaneceu obstruído o km 15 da BR-232 em Jaboatão dos Guararapes, até que foi liberada a passagem de veículos por volta das 11h.

Ainda conforme a PRF, a BR-101, na altura do município de Escada também está bloqueada no sentido interior. Os automóveis estão passando pelo acostamento, informou a PRF. A BR-101 no sentido Recife já está com o trânsito liberado, conforme os policiais rodoviários federais. 

Eles participam do Dia Nacional de Paralisação, convocado pelas centrais sindicais e movimentos sociais. O protesto é contra a Proposta de Emenda Constitucional 55 (antiga 241), conhecida como PEC do teto dos gastos, que visa o congelamento do orçamento da União pelos próximos 20 anos. Em Moreno, por exemplo, os trabalhadores do Movimento Sem Teto fecharam um trecho da rodovia com galhos de árvores para impedir o tráfego de veículos no local.

Visão dos motoristas

Como no último dia 11, as principais rodovias do estado foram bloqueadas, nesta sexta-feira, em diversos pontos por manifestantes ligados à Central Única dos Trabalhadores (CUT) e ao Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) que protestavam contra o Governo Temer e suas medidas. Como no último dia 11, quem trafegou pela BR-232 viu o nascimento de extensos engarrafamentos nas duas pistas. Dessa vez, no entanto, o ato guardou uma diferença fundamental em relação ao primeiro: mesmo com todo o contratempo de longas horas de trânsito parado, a maioria dos motoristas entrevistados pela reportagem da Folha de Pernambuco se disseram favoráveis às manifestações.

Foi o caso de Jackson da Silva, caminhoneiro. Sentado em um banquinho no meio do asfalto e tomando café da manhã com os colegas, ele se disse tranquilo com o bloqueio da rodovia, apesar de entender que os manifestantes poderiam adotar táticas mais eficientes. "Não estou em desacordo com o pessoal fechar isso, mas eles deveriam fechar em Brasília, que resolveria alguma coisa. Eu não sou contra eles, sou a favor do protesto deles aí, mas que procurassem um lugar adequado para fechar", afirmou. O mesmo disse Enéas Miguel, que também participava do desjejum improvisado. "É meio complicado, prejudica a vida da gente, mas eu sou a favor, com certeza".

Tal como os caminhoneiros, que pareciam relaxados apesar do trânsito parado, o metalúrgico Felipe Raphael, de 34 anos, também se disse favorável ao ato. "Todo protesto é válido. A gente sabe que, infelizmente, as autoridades políticas não estão muito aí para a população. É uma maneira de reivindicar os direitos da sociedade, que estão sendo tomados de assalto", avaliou. Até mesmo o aposentado Marcos Sales, que não parecia muito confortável com a longa espera, mostrou compreensão, ainda que não tenha deixado de registrar a insatisfação com a demora do protesto. "Eles têm o direito de reivindicar. Agora eu acho que o tempo é muito longo, devia ser menor", afirmou.

Coordenador do grupo de manifestantes que montou as barricadas na estrada, João Batista Tomaz fez pesadas críticas ao Governo Federal. "Estamos nessa luta para que acabe com essa palhaçada que está acontecendo no governo e no Congresso, onde estão querendo tirar o corpinho deles de fora", afirmou, em referência ao projeto de lei que pretende anistiar políticos que fizeram uso de caixa dois. Ele também pediu tolerância aos motoristas. "O que a gente tem que pedir ao pessoal é que compreenda nossa situação que não diz respeito só à gente, mas a todo o povo brasileiro".

Acionada para acompanhar a manifestação, a Polícia Rodoviária Federal chegou depois das 9h. O agente destacado, que preferiu não se identificar, criticou a estratégia do grupo, mas ressaltou o caráter pacífico do protesto e admitiu que as causas defendidas eram justas. "Eles estão até certo ponto protestando pacificamente, não estão agredindo ninguém. O que não falta é motivo. É emprego, é local para morar, eles têm motivo até suficientes para isso. Pena que estão fazendo de forma errada", lamentou.

 

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