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App contra a dengue atravessa fronteiras

Aplicativo de baixo custo idealizado por estudantes de Jardim Brasil será levado a Brasília e a feira no Paraguai

A pedagoga Jorgecy Cabral é a professora incentivadora do projeto desenvolvido por alunos da Escola de Referência em Ensino Médio Desembargador Renato FonsecaA pedagoga Jorgecy Cabral é a professora incentivadora do projeto desenvolvido por alunos da Escola de Referência em Ensino Médio Desembargador Renato Fonseca - Foto: Felipe Ribeiro

 

O ministro da Saúde, Ricardo Barros, receberá em Brasília estudantes de Olinda que criaram um aplicativo para celular de combate ao mosquito da dengue. A plataforma foi desenvolvida na Escola de Referência em Ensino Médio Desembargador Renato Fonseca e lançada pelos alunos em 2016 para facilitar o mapeamento e a denúncia dos pontos onde há focos da larva Aedes aegypti espalhados pelos bairros de Jardim Brasil 1 e 2.

O grupo contabiliza pelo menos 1.200 usuários e mais de 200 denúncias que, quando não são resolvidas pelos jovens, são repassadas para a Secretaria Estadual de Saúde (SES). Em carta enviada para os alunos, o ministro considera a iniciativa “brilhante” no combate à dengue, chikungunya e ao zika vírus. “Contribui para destacar o quanto somos responsáveis pelo combate ao mosquito”, afirmou.

A viagem de três dos jovens participantes, além da professora que ajudou no projeto, ocorre sexta-feira e foi custeada pela Secretaria de Saúde de Pernambuco. O grupo conquistou o prêmio principal na categoria de incentivo à pesquisa da Feira Ciência Jovem, que aconteceu no Espaço Ciência, em Olinda. Agora vai representar o Brasil no exterior, na Feira de Tecnologia de Assunção, no Paraguai, em junho.

A pedagoga da escola, Jorgecy Cabral, é a professora incentivadora do projeto e deve viajar com os alunos. “A ideia surgiu de uma conversa na biblioteca, em 2014. Muitos alunos estavam faltando às aulas por causa da dengue. Eles investigaram e começaram a ir na casa das pessoas explicando como prevenir, vendo se tinha foco em água parada dentro dos imóveis. O aplicativo foi para melhorar isso”, disse.

Jeovani Cipriano, 18 anos, um dos alunos envolvidos, percebeu com surpresa que o projeto ganhou proporções maiores do que o esperado. “Quando o aplicativo se espalhou começamos a receber denúncias até do Piauí e da Paraíba. O que fazemos nesses casos, em que não podemos visitar as casas, é informar por e-mail e telefone aos responsáveis das secretarias de saúde locais”, explicou Jeovani, responsável pelo desenvolvimento do aplicativo disponível para plataformas Android e iOS de smartphones.

Todo o custo do projeto para os estudantes, que fizeram cotas entre si, foi em torno de R$ 400 e inclui manutenção do aplicativo nas lojas online e no próprio servidor, ligações para secretarias de saúde, sacos de lixo, luvas e água sanitária. Com o baixo custo, o projeto poderia ser replicado para outros bairros. A SES estuda a possibilidade de aliar o aplicativo a outras práticas dos agentes de saúde comunitários.

“Acho a iniciativa muito boa. Eu e minha filha moramos perto da escola, tivemos dengue e percebi que melhorou bastante depois das visitas deles para conscientizar a população”, contou a dona de casa Ana Lúcia Sabino.

 

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