Aprendizado constante nas ETE

Dia a dia mescla disciplinas do currículo normal e matérias técnicas e gera ensino plural

Filme "Resident Evil 6: O Capítulo Final"Filme "Resident Evil 6: O Capítulo Final" - Foto: Divulgação

á se foi o tempo em que uma escola técnica era sinônimo exclusivamente de formação profissional. Em Pernambuco, nas 35 escolas técnicas estaduais, o cotidiano é de aprendizado constante em diversas linhas de atuação, de modo a garantir que o estudante saia preparado não apenas para o mercado de trabalho, mas para a vida. A prática educativa, concretizada numa jornada de aprendizado integral, comprova que o intuito é capacitar um profissional, sempre, mas formar um cidadão, acima de tudo. E a mescla entre as disciplinas do tronco comum e as matérias técnicas garante a pluralidade não apenas no ensino, mas no dia-a-dia das instituições.

Tome-se como exemplo a Escola Técnica Estadual Miguel Batista, inaugurada em abril de 2014, no terreno onde outrora funcionava uma fábrica de tecidos no bairro da Macaxeira, na zona norte do Recife. Lá, são 407 alunos no médio-integrado, que cursam, em concomitância, o ensino médio e a educação profissional. De segunda a sexta, das 07h30 às 17h, os estudantes se dividem em três turmas do Primeiro Ano, quatro turmas do Segundo Ano e quatro turmas do Terceiro Ano, e em cursos como Design de Interiores, Redes de Computação e Técnico de Informática.

São jovens que chegam dos mais diversos bairros, com bagagens e sonhos distintos, e que lá encontram um ambiente onde podem florescer, sendo acompanhados de perto pelo corpo docente. “A diferença entre uma escola regular e uma escola técnica, na minha opinião, é que na técnica, com o ensino integral, temos a chance de estabelecer uma relação mais próxima com cada aluno, com vínculo mais humanizado e mais efetivo. Gosto de estar junto deles, de conhecer todos, de poder cobrar, por exemplo, sendo capaz de identificar qual o contexto de vida de cada um e as consequências práticas da rotina no dia-a-dia”, opina Sheila Ramalho, gestora da ETE Miguel Batista, licenciada em Geografia e professora da rede estadual desde 2007.

Brenda Dias, 14, é aluna do 1º Ano de Design de Interiores. Cesar Santos, 17, e Samara Porto, 17, estudam Redes de Computação ele está no 2º Ano, ela é do 3º B. Cada um tem uma expectativa diferente para o futuro, porém todos fazem questão de ressaltar como se beneficiam do ambiente de aprendizado total da escola. “Eu vim de uma escola particular em Aldeia e decidi me inscrever aqui porque gostei do que vi. Penso em fazer Arquitetura, então acho que o curso técnico tem sido bom. Sei que estou aprendendo bastante”, comenta Brenda, que mora em Aldeia.

Já Cesar e Samara estão passando por uma experiência que só faz somar: ambos os alunos se preparam para sair com o diploma de profissional e pretendem ingressar na universidade em áreas diametralmente opostas. “Estou na área técnica por opção e, quando sair daqui, sei que poderei trabalhar montando as redes de qualquer empresa. Isso é muito bom. Fora isso, ainda faço artes marciais e quero cursar Educação Física”, revela Cesar, morador de Nova Descoberta. “Estudar numa escola técnica promove a amplitude do conhecimento da gente”, completa Samara, que pretende estudar Medicina Veterinária e não vê problema algum em, por hora, estar em um outro campo de aprendizado. “Conhecimento a mais nunca é ruim”, resume a estudante.

Para Socorro Rodrigues, gerente geral de Educação Profissional da Secretaria de Educação de Pernambuco, interdisciplinariedade é a chave. “A vivência simultânea dos componentes curriculares da base comum e da base diversificada e o funcionamento em horário integral são fundamentais para concretizar uma proposta de formação profissional que, a partir de 2010, com a organização das ETEs, tem oferecido trabalho, cultura, ciência e tecnologia. Estamos formando profissionais nas diversas áreas do conhecimento e trabalhando com os temas transversais para aliar a formação profissional e cultural”, sintetiza.

FOLHA RESUME
No dia a dia das 35 escolas técnicas estaduais, os alunos mesclam seu tempo com disciplinas do currículo regular e matérias específicas dos cursos técnicos, tendo acesso a um ensino plural, que oferece trabalho, cultura, ciência e tecnologia. Assim, as ETE caminham para formar profissionais nas diversas áreas do conhecimento, trabalhando com os temas transversais para aliar a formação profissional e cultural.

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