Apresentador é suspenso após sugerir campo de concentração para infectados

O comentário foi feito semanas depois de Marcão minimizar os efeitos da Covid-19

Marcão do Povo, apresentador do 'Primeiro Impacto'Marcão do Povo, apresentador do 'Primeiro Impacto' - Foto: Reprodução

O apresentador Marcão do Povo, do Primeiro Impacto, exibido pelo SBT, gerou revolta nas redes sociais nesta quarta-feira (8) ao sugerir, durante o programa, que campos de concentração fossem criados para receber os infectados pelo novo coronavírus no Brasil. Horas mais tarde, ele foi suspenso de suas funções pela emissora.

O comentário foi feito semanas depois de Marcão minimizar os efeitos da Covid-19, afirmando que o país, por ter temperaturas mais altas que a Europa, não seria impactado pelo vírus. Na ocasião, espectadores também reclamaram do apresentador e o causaram de espalhar fake news.

Agora, ele está recebendo críticas por um longo comentário feito ao vivo, em que sugere a Jair Bolsonaro que isole os doentes com a ajuda das Forças Armadas.

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"Atenção, presidente. Não seria interessante montar um local, com o Exército, a Marinha, a Aeronáutica, para onde fossem levadas todas as pessoas que tivessem sintomas, que tivessem o coronavírus, para serem bem cuidadas, bem tratadas, em vez de espalhar, da maneira que tem sido?", começou.

"Não seria interessante montar um campo de concentração de cuidados, com os equipamentos mais sofisticados, com os melhores profissionais, e colocar essas pessoas com problemas e com sintomas?", questionou.

Em seguida, Marcão criticou a atuação de governadores durante a crise. "Tem estado que quase não teve nada, um caso lá e ele nem sequer foi comprovado, a pessoa nem está internada, e o estado decretou calamidadade."

"O Tocantins teve um caso, um caso no Tocantins, não teve uma morte. O estado tem necessidade de decretar calamidade? Não tem necessidade disso. É despesa para o bolso do cidadão, é despesa para o bolso do trabalhador, que já está ferrado", disse. De acordo com relatório do governo do Tocantins, o estado já tem ao menos 22 casos confirmados.

Marcão também sugeriu que Bolsonaro colocasse as Forças Armadas nas ruas para fiscalizar a situação.

Em nota, o SBT, cujo dono, Silvio Santos, é judeu, lamentou o comentário feito pelo apresentador e afirmou que ele está suspenso de suas funções.

"Gostaríamos de esclarecer ao público, às autoridades, àqueles que estão na linha de frente ao combate incessante da pandemia e, em especial, às pessoas vitimadas, que de forma alguma a opinião expressada pelo apresentador reflete o pensamento, a atitude e o respeito que a emissora tem pelo momento atual", diz o comunicado.

"Temos total consciência da relevância do assunto e temos, a todo momento, nos preocupado em informar e esclarecer de forma isenta e imparcial os acontecimentos e as providências que as autoridades e todos brasileiros estão adotando para vencermos essa enorme crise de saúde já presente, e a econômica que se avizinha."

"Desta forma, sinceramente lamentamos que o apresentador tenha usado nossa plataforma de modo que contraria tão profundamente os nossos princípios. A todos que de alguma forma possam ter se ofendido ou mesmo se indignado com as opiniões pessoais do apresentador, nossas mais sinceras desculpas", finalizou.

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