Área do antigo Engenho Trapiche dá lugar a Reserva Particular de Patrimônio Natural

Com isso, sobe para 15 o número de RPPNs reconhecidas oficialmente pela CPRH

Para especialistas, reconhecimento do local como unidade protegida reforça a conservação dos manguezais lá existentesPara especialistas, reconhecimento do local como unidade protegida reforça a conservação dos manguezais lá existentes - Foto: CPRH /DIVULGAÇÃO

Pernambuco passa a contar agora com mais uma extensa área de manguezal legalmente protegida: a Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Trapiche, situada no município de Sirinhaém, Litoral Sul do Estado, a 76 km do Recife. A Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH) autorizou, por meio da Portaria nº 18/2018, a criação da nova unidade de conservação, que ocupa uma área de 767 hectares do total de 2,2 mil hectares do antigo Engenho Trapiche, no município.

Com isso, sobe para 15 o número de RPPNs reconhecidas oficialmente pela CPRH, sendo a Reserva Trapiche a segunda unidade de conservação de mangue. A primeira criada foi a Fazenda Tabatinga, na cidade de Goiana (Grande Recife), que, junto à nova área, somam cerca de 790 campos de futebol de mangue protegidos - um verdadeiro gol a favor da proteção desse ecossistema costeiro reconhecido como Área de Preservação Permanente (APP) pelo código florestal, no entanto, ameaçado.

Na avaliação do oceanógrafo e professor de biologia da Universidade de Pernambuco (UPE) Clemente Coelho, reconhecer a área como unidade protegida reforça a conservação dos manguezais que lá existem, ao mesmo tempo que salvaguarda toda uma fauna que depende do bioma para se reproduzirem, uma vez que os manguezais são berçários naturais para várias espécies. “E, como as reservas particulares são criadas a partir da decisão voluntária de proprietários de terras, garante-se que as regras de proteção efetivamente sejam cumpridas”, analisa. Com o reconhecimento da área como uma Reserva Particular, promove-se a divulgação na região, advertindo por meio de placas a proibição de desmatamento, queimadas e caças.

De acordo com o diretor-presidente da CPRH, Eduardo Elvino, esse reforço na proteção, inclusive, beneficia comunidades pesqueiras do entorno. “Ao se ter uma RPPN, definem-se regramentos que garantem a sobrevivência e proteção de uma porção de mata. Mangue conservado é ter peixe perenemente, ou seja, manutenção da fonte de renda de pescadores artesanais que usam essa área”, afirma. Por lá ocorrem os chamados peixes vermelhos, de alto valor comercial - como cioba, camurim e ariacó -, além de crustáceos típicos da vegetação: caranguejo-uçá, guaiamum e aratu. Só de mangue são quatro as espécies que compõem a flora local: Laguncularia racemosa, conhecido como mangue-manso ou mangue bravo; Rhizophora mangle, chamado mangue-vermelho ou mangue gaiteiro; e Avicennia schaueriana e Avicennia germinans, geralmente chamados canoé ou siriúba.

Vantagens
Além dos benefícios para o meio ambiente, a criação de uma RPPN também traz vantagens para os proprietários da área, como a concessão de recursos do Fundo Nacional do Meio Ambiente (FNMA), crédito agrícola pelas instituições oficiais de crédito; isenção de imposto territorial rural; iniciativa de implantação de atividades ecoturísticas, como trilhas, tirolesa e rapel; e permissão de pesquisas acadêmicas nos trechos de floresta a fim de dar publicidade às descobertas de novas espécies de fauna e flora que por lá se escondem.

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