Insegurança

Áreas dominadas pelas milícias cresceram 387% em 16 anos no Rio de Janeiro, aponta levantamento

Comando Vermelho tem a maior concentração populacional entre os grupos armados

Policiais do Bope em operação no Morro do AlemãoPoliciais do Bope em operação no Morro do Alemão - Foto: Mauro Pimentel/AFP

Um levantamento do Instituto Fogo Cruzado, em parceria com o Grupo de Estudos de Novos Ilegalismos da Universidade Federal Fluminense (Geni/UFF), apontou que áreas dominadas pelas milícias cresceram 387% em 16 anos no Rio de Janeiro. Na Região Metropolitana, por exemplo, o aumento foi de 131% entre 2006 e 2008 e 2019 e 2021.

Das áreas dominadas por algum grupo armado no Grande Rio, metade está nas mãos das milícias (49,9%). Até 2008, os criminosos ocupavam 23,7% dessas áreas. Já crescimento populacional foi de 22,5% para 38,8%.

O Comando Vermelho, maior facção da estado, tem também a maior concentração populacional entre os grupos armados, subjugando 2.042.780 habitantes.

Atualmente, a Região Metropolitana sob o comando de grupos armados está dividido em 49,9% nas mãos da milícia: 40,3% no domínio da maior facção criminosa da cidade; 8,9% no controle do Terceiro Comando Puro (TCP) e 1,1% sob poder do Amigo Dos Amigos (ADA).

A análise também revelou que o aumento da expansão das milícias ocorreu por incorporação de áreas onde antes não havia controle territorial algum – e não por meio da conquista de espaços controlados por outros grupos.

Ainda segundo o levantamento, a movimentação dos grupos armados ao longo dos últimos 16 anos é influenciado por variados aspectos da dinâmica social fluminense e nacional: a CPI das milícias (2008), à presença das Unidades de Polícia Pacificadora (2008-2016), a crise socioeconômica, política e fiscal no estado (2014-2017) e crise da gestão da segurança pública no Rio de Janeiro (2016-2019) que levou ao fim da Secretaria de Estado de Segurança do Rio de Janeiro (SESEG) e a consequente autonomia das polícias civil e militar (2019).

 

Veja também

Fiocruz alerta para circulação simultânea da covid-19 e gripe
SAÚDE

Fiocruz alerta para circulação simultânea da covid-19 e gripe

Brasil bate 1 milhão de casos de dengue em 2024 com apenas dois meses
BALANÇO

Brasil bate 1 milhão de casos de dengue em 2024 com apenas dois meses