Argentina anuncia apoio por novo acervo no Museu Nacional no Rio de Janeiro

A Argentina vai fazer um levantamento em sua coleção pública para verificar o que poderá ser enviado ao Brasil

Museu NacionalMuseu Nacional - Foto: Mauro Pimentel/AFP

A exemplo da França, a Argentina anunciou que vai ajudar a recompor o acervo do Museu Nacional, no Rio de Janeiro. Cerca de 90% das 20 milhões de peças foram destruídas no incêndio que atingiu a instituição no último domingo (2). De acordo com o secretário de cultura da Argentina, Pablo Avelluto, o país vizinho fará um levantamento em sua coleção pública de arte para verificar o que poderá ser enviado ao Brasil.

"É claro que não se pode reconstituir o que se perdeu, mas se pode mapear o que há da história do país na região e tentar Avelluto disse que o setor cultural argentino recebe apenas 0,2% do orçamento do país e que a falta de repasses, um problema crônico de toda a história recente do Museu Nacional, é também uma realidade no país.

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"O que ocorreu no Museu Nacional, do Rio de Janeiro, é um alerta a vários países que estão fazendo ajustes na economia. Não podemos descuidar das áreas da cultura e da educação, pois corremos o risco de que uma nova tragédia como esta aconteça".

O titular da pasta da cultura do país vizinho também acrescentou que, no caso de museus em que o edifício também é parte do patrimônio histórico, e não apenas da coleção, "a atenção precisa ser redobrada". "Na Argentina, há muitos casos similares e estamos fazendo esforços em direcionar investimentos para a revisão constante das medidas de segurança."

Ajuda da França

Nesta terça (4), o presidente francês Emmanuel Macron, disse que vai disponibilizar especialistas do país para ajudar na reconstrução do Museu Nacional. "O incêndio do museu do Rio é uma tragédia. É uma história e uma grande memória que vai para as cinzas", escreveu.

O ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Yves Le Drian, reforçou o compromisso do mandatário europeu. "No momento em que todo o Brasil está comovido, a França está disposta a ajudar a restaurar o Museu Nacional", afirmou ele, em discurso no museu do Louvre Abu Dhabi, inaugurado em 2017. "Eu desejo fazer um preâmbulo para expressar a solidariedade das autoridades francesas ante o trágico incêndio que devastou no domingo outro lugar cultural de exceção", disse Drian.

"O Museu Nacional do Rio de Janeiro é uma das joias do Brasil. Abrigava coleções de paleontologia, artefatos greco-romanos, uma coleção egípcia e o fóssil humano mais antigo descoberto no Brasil", recordou o ministro francês. "Como o Louvre, este é um símbolo de diálogo das culturas. Com as chamas, desapareceu uma parte da memória da humanidade".

Acervo precioso

Criado em 1818 por dom João VIº e instalado desde 1892 no antigo palácio imperial de São Cristóvão, o Museu Nacional era o maior museu natural e antropológico da América do Sul, com mais de 20 milhões de peças e uma biblioteca de mais de 530.000 títulos. A vice-diretora do museu, Cristiana Serejo, explicou que por trás da tragédia estão "a falta de dinheiro e uma burocracia muito grande".

O museu era particularmente conhecido por seu rico departamento de paleontologia, com mais de 26.000 fósseis, incluindo o esqueleto de um dinossauro descoberto em Minas Gerais e inúmeros espécimes de espécies extintas, como preguiças gigantes e tigres dentes-de-sabre. Sua coleção de antropologia biológica incluía o mais antigo fóssil humano descoberto no Brasil, conhecido como "Luzia", que também está sob os escombros e ainda não foi localizado.

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