Asfalto feito de lixo

A adoção de materiais reciclados é a nova aposta para reduzir o problema da falta de pavimentação em ruas e avenidas do Recife

Mais de quatro mil  toneladas de materiais deixaram de ser  destinados ao aterro sanitárioMais de quatro mil toneladas de materiais deixaram de ser destinados ao aterro sanitário - Foto: Divulgação

O que antes era visto apenas como lixo, vem sendo transformado para dar uma cara nova às ruas e avenidas do Recife. Com uma técnica de reciclagem, o antigo descarte da construção civil agora pode servir como base para a pavimentação de importantes vias na Cidade. Até agora, mais de quatro mil toneladas de materiais deixaram de ser destinados ao aterro sanitário, representando uma economia de até 10% no custo das obras.

O trabalho conta com o estudo de professores do Departamento de Engenharia da Universidade de Pernambuco (UPE) e deve se estender por toda a Capital. Dez trechos já foram implantados e mais quatro estão em execução. Além do fim dos buracos e alagamentos, anseio dos moradores, o processo também representa ganhos ao meio-ambiente.

“Todo o material é submetido a um processamento, sendo triturado, peneirado e ainda recebendo a adição de novos produtos, como fluidos de ligamento. O serviço segue padrões adotados em diversos países, sempre prezando pela máxima segurança”, explica o professor de engenharia Alexandre Gusmão, que, há dez anos, estuda o reaproveitamento de resíduos. Segundo ele, não é qualquer tipo de resquício que pode ser utilizado. “Em geral, os insumos são oriundos de concreto, tijolo, argamassa e gesso.

Mas, é preciso observar a textura final, oferecendo resistência compatível com o tipo de projeto”, acrescentou. Conforme Gusmão, a ideia pode ir além. “O objetivo é que o trabalho seja aperfeiçoado. Nada impede que, no futuro, seja utilizado em blocos para a construção de casas”, destacou.

Produção
É numa área de cerca de três hectares, em Camararagibe, na RMR, onde tudo é extraído. As montanhas de materiais, que antes acabavam descartados irregularmente nas vias e rios, dão origem a quatro tipos de elementos, entre britas, cascalho e a areia utilizada no preparo da argamassa.

“Hoje recebemos cerca de 60 caminhões, contando com uma capacidade de produção de 1,2 mil tonelada por dia. Tudo passa por uma vistoria cuidadosa. O serviço fica mais barato e o meio ambiente acaba nos agradecendo”, afirma o coordenador-geral Marlon Melo. A tecnologia é importada da Suíça e contou com um investimento em maquinário na ordem de R$ 5 milhões. Com o empenho de 12 profissionais, as esteiras fazem a triagem. Até mesmo as vigas de ferro conseguem ser extraídas dos blocos concreto, por meio de eletroímãs.

De acordo com a diretora de manutenção da Emlurb, Fernandha Batista, o método encurta distâncias. “O município tinha que custear o recolhimento, acomodação em caminhões e ainda o despejo em aterros. Hoje tudo acaba seguindo para uma central única, que se encarrega de fazer a transformação. O resultado é encaminhado para os canteiros de obras espalhados pela cidade”, explicou. Segundo ela, o material obtido na troca de placas em grandes corredores do Recife, a exemplo da Agamenon Magalhães e Conde da Boa Vista, também acaba servindo à nova proposta. “Quase nada é desperdiçado”, disse.

Resultados
O aposentado Amaro Nascimento, 77, mora há 42 anos na rua David Kaufman, na Imbiribeira, Zona Sul, uma das contempladas. Durante todo esse tempo ele aguardou ansioso pela chegada do calçamento à porta de casa. “Enfrentamos tempos de chuva forte, com a água quase invadindo a sala. Além dos pedestres, os carros e ônibus sempre sofreram muito para trafegar”, contou. O pacote no bairro ainda contemplou as ruas Tavares Correia, José Brandão Cavalcanti e Edson Moury Fernandes. O administrador Paulo Ferreira, 26, também reside no local e aprovou a iniciativa. “Antes sofríamos bastante com a sujeira causada pelo caminho de barro e terra”, contou.

Na Iputinga, as ruas Professor Bandeira, Luiz de Lacerda, Água Branca e Cristóvão Cavalcanti JÁ foram submetidas a intervenção. No Cordeiro, as ruas Adelino Frutuoso, Adelmar Tavares e Camilo Colier também receberam os serviços. A dona de casa Teresa Medeiros, 54, também gostou da novidade. “Assim podem resolver mais problemas como esse aqui no bairro”, opinou. Na Várzea, foi a vez da rua Desembargador Altino.

Já na Madalena, a lista conta com a rua Antônio Vieira e Manoel Bernardes. A promessa é de também chegar às ruas Chagas Ferreira, em Dois Unidos; Bom Jardim, em Afogados, e rua Júlio Oliveira, na Iputinga.

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