“Assalto a ciclista nunca deixou de ocorrer”, alerta coordenador da Ucipe

Rodrigo Veras Sobral apontou que, no local onde ocorreu o latrocínio de advogado, no Parque das Esculturas, sempre houve relato de pequenas ocorrências, mas nada tão violento

O ciclista Flavio Mendes, de 47 anos, foi vítima fatal de um latrocínio no Parque das Esculturas de Francisco Brennand, no Bairro do RecifeO ciclista Flavio Mendes, de 47 anos, foi vítima fatal de um latrocínio no Parque das Esculturas de Francisco Brennand, no Bairro do Recife - Foto: Cortesia

A morte do advogado Flávio Mendes de Amorim, de 47 anos, vítima de um latrocínio no último domingo (30), voltou a levantar um debate sobre a insegurança nas ruas do Recife. Ele estava com a esposa e a sobrinha quando foi baleado durante um assalto e morreu após dar entrada no hospital.

Um dos pontos que chama atenção é que o crime ocorreu em uma área de grande movimento, onde transitam diariamente moradores e turistas. Apesar da grande violência ter causado espanto, um dos coordenadores da União dos Ciclistas de Pernambuco (Ucipe), Rodrigo Veras Sobral frisou que “assalto a ciclista nunca deixou de ocorrer”.

Ele apontou que, no local onde ocorreu o latrocínio, no Parque das Esculturas, sempre houve relatos de pequenas ocorrências, mas nada tão violento. Ele aponta ainda que ações nessas proporções eram esperadas na região do Cabanga, também na área central da cidade, por onde muitos ciclistas transitam num percurso que sai do Parque em direção à Brasília Teimosa, passando pelo Cabanga retornando ao Bairro do Recife. “Fazia tempo que não ouvia que alguém tinha perdido bicicleta ali”, observou.

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Sobral destacou que o ciclismo é uma modalidade esquecida, quando deveria ser estimulada como uma alternativa de locomoção diante do trânsito da cidade. E disse que espera que haja um reforço na segurança do local.

A polícia ainda não sabe o que levou o criminoso a atirar no advogado e empresário. As duas testemunhas que estavam com a vítima e outras pessoas que estavam no local na hora do crime afirmaram que não houve nenhum tipo de reação da vítima. "Muito pelo contrário, a vítima pediu que ele não tirasse. Não sei se ele se desagradou porque a esposa não estava com celular, não sei qual o motivo dele ter feito isso ou se foi só por maldade mesmo, mas não houve reação", observou o gestor do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Guilherme Caraciolo.

Escuridão e insegurança 
Algumas horas após o latrocínio do ciclista que visitava o Parque das Esculturas, a Folha de Pernambuco esteve no local e constatou que inúmeras pessoas aguardavam barcos para retornar ao Marco Zero. Mesmo após o início da noite, algumas se arriscavam permanecendo no local, que quase não tem iluminação pública.

Segundo o tenente coronel Paulo Matos, comandante do 19º Batalhão de Polícia Militar (BPM), responsável pelo policiamento na área, cerca de 12 policiais são responsáveis pelo monitoramento da área. Ele explicou que a segurança nos bairros do Pina e Boa Viagem é dividida com base em 11 quadrantes, ou seja, regiões com quarto partes iguais.

"São feitos dois tipos de trabalho. Tem prevenção e repressão. Dentro da prevenção, Brasília Teimosa tem uma viatura da Patrulha do Bairro, com dois homens, um trio de motocicleta e tem a Rocam (Ronda Ostensiva Com Apoio de Motocicletas), que é uma unidade especializada e que nos dá esse suporte também. Em ação de repressão, entra mais uma viatura com três homens e o Grupo de Apoio Tático Itinerante (Gati)", detalhou.

Para o comandante do 19º BPM, o latrocínio registrado neste domingo (30) foi o que a polícia chama de "um ponto fora da curva". A expressão, segundo ele, é usada para se referir a algo anormal dentro do que costuma ocorrer. "A família mesmo diz que eles faziam esses passeios frequentemente e nunca foram assaltados. Foi o dia. E nós fechamos o perímetro e, com as informações e expertise, chegamos aos elementos. A gente só não conseguiu devolver a vida dele. Porque isso aí pertence a Deus."

Algumas horas após o latrocínio do ciclista que visitava o Parque das Esculturas, a Folha de Pernambuco esteve no local e constatou que inúmeras pessoas aguardavam barcos para retornar ao Marco Zero

Algumas horas após o latrocínio do ciclista que visitava o Parque das Esculturas, a Folha de Pernambuco esteve no local e constatou que inúmeras pessoas aguardavam barcos para retornar ao Marco Zero - Crédito: Rogério França/Folha de Pernambuco



Entenda o caso
O ciclista, advogado e empresário Flávio Mendes de Amorim, de 47 anos, morreu no último domingo (30) após ser baleado em um assalto no Parque das Esculturas Francisco Brennand, um dos pontos turísticos mais importantes do Recife.

Flávio estava pedalando com a esposa e uma sobrinha adolescente quando foi abordado por dois assaltantes que atiraram nele e levaram as bicicletas e um celular. Os dois homens responsáveis pelo roubo seguido de morte foram presos em Brasília Teimosa, na Zona Sul do Recife, menos de duas horas após o crime.

De acordo com a polícia, Arthur Felipe Lima de Lira, de 20 anos, e Matheus Ribeiro Vieira de Barros, 18, confessaram a autoria do latrocínio. O disparo teria sido efetuado por Matheus, mas os dois já eram investigados por ligação com uma quadrilha envolvida em tráfico de drogas e homicídios e que seria responsável por pelo menos outros três assassinatos ocorridos na área também neste mês.

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