Assassino de modelo é condenado a mais de 30 anos de prisão

Sentença foi lida por volta das 19h30 desta quinta-feira (24) pela juíza Flávia Fabiane Nascimento Figueira

Júri acontece nesta quintaJúri acontece nesta quinta - Foto: Arthur Mota/Folha de Pernambuco

Foi condenado a mais de 30 anos de reclusão o tatuador Emerson Du Vernay Brandão, que assassinou a modelo Danielle Solino Fasanaro no dia 19 de junho de 2013 e também tentou matar o filho dela, que tinha, na época, 9 anos. O crime aconteceu no Edifício Estrela do Mar, em Olinda, Grande Recife, onde a família morava. A sentença foi lida por volta das 19h40 desta quinta-feira (24), pela juíza Flávia Fabiane Nascimento Figueira, após quase 10 horas de sessão na Vara do Tribunal do Júri de Olinda, Grande Recife. Emerson também vai responder pelo crime de cárcere privado do filho da vítima. 

Emerson Du Vernay Brandão foi condenado a 33 anos e 4 meses de reclusão e 1 ano e dois meses de detenção. Ele deve começar a cumprir a pena em regime fechado. O Código Penal brasileiro determina que a pena de reclusão tem que ser cumprida em regime fechado, semiaberto ou aberto. Já a detenção pode ser cumprida no regime semiaberto ou aberto. A defesa do réu informou que vai recorrer da decisão.

O tatuador foi condenado a: 20 anos e 6 meses por homicídio qualificado, em razão de impossibilidade de defesa da vítima; 4 anos e 6 meses por cárcere privado do enteado; a 1 ano e 2 meses mais 20 dias-multa por utilização de documento falso; 3 anos e 2 meses mais 20 dias-multa por disparo de arma de fogo em lugar habitado; e 5 anos e 2 meses mais 20 dias-multa por porte de arma de fogo de uso restrito.

“Eu estava drogado; não sabia o que estava fazendo”, disse Emerson Du Vernay Brandão, 35 anos, em seu interrogatório gravado em 2015. O vídeo de 1h30 foi exibido para o júri durante o julgamento, que aconteceu esta quinta no Fórum de Olinda.

Emerson foi julgado por homicídio duplamente qualificado de Dani, como era conhecida, e pela tentativa de homicídio contra o filho da modelo, que tinha, 9 anos, na época.

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No momento de sua prisão, em 2013, Emerson estava em posse de três carteiras de identidade falsas e uma pistola 745, usada no crime. Além do homicídio e da tentativa de homicídio, o acusado também respondeu pelo crime de constrangimento ilegal pelo emprego do uso de arma e por uso de documento de identidade alheio.

Presidido pela juíza Flávia Figueira, o julgamento aconteceu com a presença dos familiares da vítima. Com a chegada do acusado, a família realizou um protesto e depois fixaram cartazes nas grades.“É a fé que eu tenho que trouxe durante 4 anos, 2 meses e 5 dias; não vai ser hoje que eu vou desistir”, contou a irmã da vítima, Michele Fasanaro, 35.

“Meu filho faleceu há 1 mês, ele seria uma testemunha tão importante quanto eu. Até porque ele também foi um alvo. No dia do ocorrido, ele pediu para ser trocado pelo meu sobrinho e o Emerson ainda chegou a atirar no meu filho” , destacou a irmã da vítima. O filho dela Luca Fasanaro, 22, foi assassinado no dia 16 de julho deste ano. Um vídeo com seu interrogatório gravado foi exibido.

Antes do início do julgamento, o defensor público José Fabrício informou que iria focar na aplicação justa da pena. O júri teve início com o sorteio de sete jurados, entre os 25 presentes. No início, houve interrogatório da irmã da vítima, Michele Fasanaro, 45. As perguntas giraram em torno dos nomes falsos que o acusado usava e como era o relacionamento da Danielle com ele. Depois de Michele depor, foi mostrado um vídeo de seu filho, Luca Fasanaro, 22, assassinado em julho.

Também foi exibido outro vídeo, desta vez, do interrogatório feito com a criança, filho da vítima. Na gravação, o menino contou que acordou normalmente naquele dia, mas percebeu muitas roupas espalhadas com sangue. Foi ao quarto em busca da sua mãe e a encontrou deitada no chão de calcinha.

Entre outras coisas, a criança ainda declarou que, um dia antes de morrer, a mãe disse ao garoto que poderia aparecer morta. Contou também que o casal brigava muito com xingamentos e gritos diariamente, e as brigas eram "assustadoras".

De acordo com o garoto, mesmo o acusado tendo mostrado para ele ser rico, usualmente tinha pouca comida na casa. Inclusive, uma vez, chegou a dividir o seu café da manhã com a mãe, que estava morrendo de fome. O garoto lembrou de como o acusado apontou a arma para seu pescoço e cabeça, quando o fez de refém.

Mesmo sem depor ontem, mas presente no julgamento, foi mostrado o interrogatório do acusado. Na gravação, Emerson Du Vernay Brandão disse haver passado a noite sob uso de cocaína junto com a modelo e que, um momento, teve uma alucinação e escutou um barulho e foi verificar armado. Danielle teria tentado lhe acalmar, mas arma disparou.

 

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