Sáb, 06 de Dezembro

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MISSÃO ESPACIAL

Astronautas chineses retornam à Terra após missão de mais de seis meses

Prevista para o dia 5 de novembro, a viagem de retorno foi adiada após a detecção de um possível impacto de pequenos detritos espaciais na nave

Missão Shenzhou-20 da ChinaMissão Shenzhou-20 da China - Foto: Pedro Pardo/AFP

Três astronautas chineses retornaram à Terra nesta sexta-feira (14), após mais de seis meses na estação espacial Tiangong e alguns dias de incerteza devido aos danos sofridos pela nave de retorno, informaram autoridades.

A cápsula que transportava os três homens da missão Shenzhou-20 pousou na Mongólia Interior (norte do país), segundo imagens do canal CCTV.

Prevista para o dia 5 de novembro, a viagem de retorno foi adiada após a detecção de um possível impacto de pequenos detritos espaciais na nave.

Um dano desse tipo representava um risco vital para a tripulação durante o retorno à atmosfera terrestre.

Suspensa por um imenso paraquedas vermelho e branco, a cápsula que transportava a tripulação da missão Shenzhou-20 desceu lentamente em altitude antes de tocar o solo desértico da zona de pouso, na Mongólia Interior (norte da China), segundo imagens do canal CCTV.

Os astronautas chegaram às 16h40 (4h40 em Brasília), os três homens, Chen Dong (46 anos), Chen Zhongrui (41 anos) e Wang Jie (36 anos), "estão bem", assegurou a agência espacial responsável pelos voos tripulados, a CMSA.

A janela da cápsula de retorno da nave Shenzhou-20, com a qual se supunha que retornariam à Terra, apresentava uma "fina rachadura" e "já não cumpria os critérios" para "um retorno seguro", indicou a agência na manhã desta sexta-feira.

Para evitar qualquer risco, eles retornaram à Terra com outra nave, a da missão Shenzhou-21, com a qual a tripulação que os substituiu chegou no início de novembro à estação Tiangong.

"Nestes últimos dias, sentimos que o Partido (comunista no poder, NR), o país, toda a população e a equipe de engenharia estavam preocupados conosco", declarou à CCTV Chen Dong, o capitão da missão, do exterior da cápsula.

"Isso nos ajudou a entender por que o programa espacial tripulado sempre deve priorizar a vida acima de tudo e a segurança como prioridade", destacou, deitado em uma espreguiçadeira e envolto em um cobertor para se manter aquecido.

Este atraso na viagem de retorno constitui um contratempo incomum para um programa espacial chinês habitualmente bem organizado e que aspira, entre outras metas, a enviar chineses à Lua até o ano de 2030.

O programa espacial chinês é o terceiro a colocar humanos em órbita, depois dos Estados Unidos e da ex-União Soviética.

A China está excluída da Estação Espacial Internacional (ISS) desde 2011, quando Washington proibiu a Nasa de colaborar com Pequim.

Desde então, o país tenta incorporar outros países ao seu programa espacial e, em fevereiro, assinou um acordo com o Paquistão, seu aliado tradicional, para recrutar os primeiros "taikonautas" estrangeiros.

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