Ataques a bancos elevam volume de violência

Tentaram o mesmo na do Bradesco, mas não conseguiram abrir os caixas eletrônicos

assaltos e explosoes no interior (9)assaltos e explosoes no interior (9) - Foto: Jedson Nobre/Folha de Pernambuco

Um dia após explosões de bancos em Goiana, Iati e Jataúba, investidas ocorreram em Barreiros (Mata Sul) e no Cabo de Santo Agostinho (Grande Recife). Tiros, reféns, policiais acuados. Reunida poucas horas depois, ao mesmo tempo em que policiais civis paravam as atividades pedindo um plano de carreira, a cúpula da segurança pública prometeu reforçar o setor de inteligência para conter crimes contra agências bancárias.

Medida importante, mas que não resolve, de imediato, um problema que pode bater à porta do cidadão nesta ou na outra madrugada. Pernambucanos, sobretudo os das pequenas cidades, convivem cada vez mais com o medo e a dúvida de onde serão as próximas investidas.

Explosões e tiros em Barreiros

Entre 3h e 5h de ontem, o ir e vir e o sono dos mo­­­­­­­­­­radores de Barreiros fo­­­ram regidos por 30 homens for­­­­temente armados. Com galhos de árvores e carros incen­­­­diados, interditaram a PE-60, inviabilizando o acesso à cida­­­­de. Fizeram disparos na frente do prédio da Polícia Militar e da delegacia para inibir qualquer reação. Numa agência da Caixa, explodiram o cofre e levaram dinheiro, assim como co­­­­letes e armas de vigilantes.

 Tentaram o mesmo na do Bradesco, mas não conseguiram abrir os caixas eletrônicos.

Na saída, ora com um veículo em marcha ré, ora com um pé de cabra, arromba­­­ram três lojas. Feitos reféns, guardas municipais e pe­­­­destres foram obrigados a carregar produtos roubados até au­­­­tomóveis. O grupo fugiu dei­­­­xando poucas pistas. Ao rai­­­­ar do dia, para quem ficou, a missão inglória foi contar prejuízos.Os aposentados Sônia Cordeiro, 71 anos, e Aurino José, 75, moram perto de um dos bancos alvejados. Quando ouviram os tiros, se esconderam nos fundos da casa.

“Moramos há mais de 40 anos aqui e nunca vimos uma coisa assim”, lamentou Sônia.
Marcas de balas cravaram postes e paredes de casas. Na agência da Caixa, estragos eram visíveis na entrada e no teto. Na loja de cosméticos e nas duas de telefonia que fo­­­ram arrombadas, funcionários pareciam resignados. “Levaram celulares, caixas de som, tudo o que conseguiram carregar com ajuda de quem passava. A cidade ficou à mercê deles”, descreveu o motorista Clésio Barreto, 41.

Impossibilitados de enfrentar os criminosos, policiais pe­­­diram apoio de outras equipes, que vieram do Recife e até de Alagoas. Um carro foi achado com equipamentos usados na ação, como uma motosserra. Ninguém foi pre­­­so. Nos escombros da agência da Caixa, uma bolsa com explosivos também foi encontra­­­da. Segundo a Polícia Federal, antes de serem detona­­­dos, os artefatos foram periciados para que eventuais inscrições os liguem à quadrilha.

Grande Recife
Durante a madrugada, um caixa eletrônico também foi explodido no Cabo de Santo Agostinho. Parte da estrutura da agência sofreu avarias. Já em Jaboatão, bandidos tenta­­­ram arrombar um terminal de autoatendimento dentro de um mercadinho em Dois Carneiros. Ninguém foi preso.

Os casos são investigados pelo Depatri, que, em nota, destacou a desarticulação de 12 quadrilhas envolvidas em crimes desse tipo e a prisão de 80 pessoas entre janeiro e setembro deste ano. O número de explosões de bancos, po­­­rém, aumentou de 34 para 40 nesse período em relação a 2015, e o total de investidas, entre tentadas e consumadas, de 128 para 144 (+12,5%).

Reação
O chefe da Polícia Civil, Antônio Barros, informou que a nova diretoria da Secretaria de Defesa Social, assumida, há uma semana, pelo delegado fe­­­deral Angelo Gioia, está sensível à necessidade de investir no setor de inteligência po­­­­­­­licial, sobretudo, no Interior. Destacou, ainda, que é preciso aper­­­feiçoar a comunicação entre os estados para desarticular as quadrilhas, que “têm atuado em todo o Nordeste”, e que a Polícia Rodoviária Federal está sendo chamada pa­­­ra entrar na força-tarefa que, desde julho, já reúne as polícias Federal, Civil e Militar. “Vai ser aumen­­­tado o foco nesse tipo de trabalho. Temos que melhorar a capacidade de inteligência da Polícia Civil”, declarou.

O presidente da Associação dos Delegados de Polícia, Fran­­­cisco Rodrigues, porém, ressaltou que há questões delicadas. “Como me­­­lho­­­­rar o ce­­­nário, se os próprios funcio­­­nários da inteligência estão insatisfeitos? No caso dos delegados, com o pi­­or salário e sem condições de tra­­­­balho, as operações es­­tão comprometidas. Diante disso, com cer­­­­teza, haverá uma próxima explosão (de banco). O Estado, parece, paga para ver e não investe.”

 

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