Atendimento de odontologia está parado na UFPE por falta de água

Alunos e a própria comunidade, que recebe o serviço clínico gratuito, são os maiores prejudicados

Atendimento parado por falta de águaAtendimento parado por falta de água - fotos: Leo Motta

Estudantes do curso de odontologia estão há cerca de 45 dias sem aulas práticas por falta de água para a esterilização dos instrumentos utilizados no atendimento aos pacientes. A causa é a crise hídrica que está acontecendo no campus da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), na Zona Leste da Região Metropolitana do Recife (RMR).

O problema tem prejudicado demais os alunos do curso - que integra o Centro de Ciências da Saúde da universidade -, sobretudo os que estão nos períodos mais avançados e, por isso, contam com uma carga menor de aulas teóricas. O maior prejuízo, entretanto, fica mesmo com a comunidade, que todos os dias recebia atendimento clínico odontológico gratuito dos estudantes dentro das atividades de clínica-escola.

A denúncia chegou à Folha de Pernambuco por meio de Adriano Campos, que é aluno do 6º período da graduação em odontologia na UFPE. O universitário conta que já procurou a Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa) para que o problema fosse sanado, mas ainda não conseguiu ser atendido. “Não podemos usar água do poço na esterilização, porque contém muito ferro e outros metais e não é apropriada. Um funcionário da Compesa me disse que houve uma obstrução no encanamento da tubulação da rua Arthur de Sá (que fica localizada ao lado do Hospital das Clínicas, dentro da área do campus). Eles tentaram encontrar o problema, o local exato dessa obstrução, mas não tiveram sucesso”, conta.

Grande porte
A versão narrada pelo universitário é corroborada pela Companhia Pernambucana de Saneamento, que comentou o caso por meio de sua assessoria de imprensa. “A Compesa já tem conhecimento (do caso) e já vem trabalhando há vários dias na solução do problema, mas ainda não conseguiu localizar o que está causando (o problema).

A geofonagem encontrou um vazamento de grande porte escondido em uma galeria. Então a Compesa identificou, mas não conseguiu resolver o problema. Uma equipe continua monitorando as vazões e pressões da rede e fazendo pesquisa de vazamento, mas ainda não encontrou nada conclusivo que justifique a falta d’água”, afirmou. A empresa acrescentou ainda ser difícil estabelecer um prazo para a normalização do serviço. “Pode ser hoje ou pode ser daqui a alguns dias, logo que seja identificada a razão da falta d’água.”

Paliativos
Segundo Adriano Campos, a Universidade Federal de Pernambuco até tem tentado aplicar soluções paliativas, que não servem, no entanto, para atender às necessidades do Departamento de Clínica e Odontologia Preventiva e Departamento de Prótese e Cirurgia Buco-Facial da UFPE. “A universidade comprou alguns carros-pipa mas, para a esterilização, não é eficaz, porque a demanda é muito grande. Teria que ter um abastecimento em grande quantidade e diariamente”, avalia. Assim, por parte dos estudantes, fica a frustração de ser alijados de suas aulas práticas por um problema tão banal. “Nós alunos estamos extremamente prejudicados, porque não estamos conseguindo fazer o atendimento nas aulas práticas.

E a população está extremamente prejudicada, porque não tem esse atendimento, que é gratuito. Temos material, temos tudo pronto para atender a população da melhor maneira possível. Mas, infelizmente, por falta de água, a gente não está tendo esse atendimento”, lamenta o aluno.

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