Ato no Marco Zero usa arte para alertar contra feminicídio

Ato relembra a petição criada para mobilizar o governo na adição do subtítulo Feminicídio no ato de registro do crime

Protesto contra Feminicídio no Marco ZeroProtesto contra Feminicídio no Marco Zero - Foto: Rafael Furtado

A chuva não impediu um grupo de mulheres de lutar pelo direito de muitas. Sob chuva e vento, um apelo em forma de arte foi feito contra o feminicídio no fim da tarde desta quinta-feira no Marco Zero do Recife. No ato “ Não é crime passional, é feminicídio”, pares de sapatos femininos dispostos no chão lembravam as mulheres que foram mortas em Pernambuco. A representação foi inspirada no movimento mexicano da década de 90, quando dezenas de mulheres foram sequestradas, mortas e violentadas de forma indiscriminada na Cidad de Juaréz.

Para os turistas que visitavam um dos principais pontos turísticos do Recife, a luta era clara e precisava ser ouvida. O Nordeste lidera o ranking de crimes contra mulheres no país, uma realidade vivida pelas que convivem com maridos, namorados e homens que não têm medo da justiça.

“Essas mulheres (que morreram) não são apenas números, são pessoas que tinham sonhos, queriam uma família, ou não, mas eram vidas” afirma a militante Camila Fernandes, de 37 anos.

O dia do ato foi escolhido propositalmente - 20 de julho marca os dois anos do primeiro crime julgado como feminicídio no Estado. O caso de Aldenice Amara de Souza, que foi morta a tijoladas por um homem com quem já havia se relacionado, foi um marco para a luta contra essa violência.

De acordo com a lei º 13.104/2015, feminicídio é o crime praticado contra a mulher por razões da condição de gênero. O crime pode ocorrer nas hipóteses de violência doméstica e familiar ou quando há menosprezo ou discriminação à condição da mulher.

O ato divulgou o abaixo assinado que está sendo encaminhado ao Governo do Estado para incluir o subtítulo Feminicídio no registro da ocorrência em Pernambuco. A petição já possui cerca de 2.500 assinaturas e tem como “meta” 5 mil. Camila ainda afirma que as assinaturas são importantes para que o governador comece a enxergar esse problema “Não sabemos quantas de nós vão ter que morrer para que ele entenda”.

Feminicídio em Pernambuco


De acordo com organizações, somente no mês de maio, 2.674 mulheres sofreram violência doméstica, o que representa uma média de 86,2 vítimas por dia. No entanto, sem o subtítulo, não é possível precisar quantos registros de feminicídio existem em Pernambuco, segundo Camila Fernandes.

Em nota, a Secretaria de Defesa Social informou que, de janeiro a junho de 2017, 161 mulheres foram assassinadas em Pernambuco. A pasta disse que "tem trabalhado intensamente, por meio de suas operativas, para proteger as mulheres de Pernambuco, prevenindo crimes e prendendo os responsáveis".

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