Atrações do Rec-Beat fortalecem o rap

Apresentações movimentam o festival no Cais da Alfândega, mudando o gênero que vem crescendo cada vez mais no Estado e no Brasil

Don L é cearense, radicado em São Paulo, e lançou o experimental "Roteiro para Aïnouz vol. 3"Don L é cearense, radicado em São Paulo, e lançou o experimental "Roteiro para Aïnouz vol. 3" - Foto: Larissa Zaidan/Divulgação

Dois shows movimentam a programação do Rec-Beat deste domingo e mostram as diferentes possibilidades que existem dentro do rap e do hip hop contemporâneo. A banda pernambucana Arrete sobe ao palco às 20h; em seguida, às 23h10, é a vez do cearense radicado em São Paulo Don L apresentar seu repertório. Os shows ocorrem no Cais da Alfândega, no Recife Antigo, com acesso gratuito.

Formada em 2012, a Arrete é composta pelas MCs Ya Juste, Nina Rodrigues e Weedja Lins. No show, elas vão apresentar o disco "Sempre com a frota", lançado ano passado, com apoio do Funcultura. "O título vem de uma letra minha", diz Nina. "A gente fala muito dos nossos anseios, das nossas lutas, mistura o rap com regionalismo", ressalta. Nas músicas, a banda aproxima o rap da poesia da cultura popular do Nordeste, a partir de histórias pessoais das integrantes.

"Nossas músicas falam da gente, do nosso grupo. Temos muitas histórias de cicatrizes e de alegrias. Falamos sobre nossa região, nosso cotidiano", detalha. "A gente está há muito tempo nessa luta. Nossas letras falam muito disso. Éramos impostas a fazer algo e agir de tal forma, hoje agimos porque nós queremos. A gente se respeita mais. A gente tem mais autonomia, tem mais voz. Isso não é fácil nesse sistema patriarcal, no meio da arte, que é muito masculinizado. Esse empoderamento vem para mostrar que não estamos sozinhas, há mais mulheres na mesma causa que a nossa", ressalta.

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Autobiografia
Don L traz ao Recife músicas do álbum "Roteiro para Aïnouz vol. 3", referência ao cineasta cearense Karim Aïnouz. "Não pensei como homenagem. Não tinha essa pretensão", diz o rapper. "Sou muito fã dele, é um diretor muito foda, os filmes dele são fantásticos. Eu estava fazendo uma trilogia sobre minha história, minha autobiografia, e não tinha pensando em um nome ainda. Aí me veio essa parada de que se isso é um roteiro quem eu gostaria que quem dirigisse era o Aïnouz", detalha.

A autobiografia começa no terceiro capítulo - os anteriores devem sair ainda em 2018. "Pensei em ser uma trilogia em reverso. Para mim foi o que fez mais sentido. Fiquei conhecido por Caro Vapor, de 2013, mas tem gente que não sabe da minha história antes de me mudar para São Paulo. Sou um cara que está tentando mudar o mundo fazendo rap, tentando encontrar meus próprios caminhos com uma música pessoal", detalha.

  

As letras de Don seguem uma proposta biográfica, confessional: revelam seu mundo através da expressão pessoal. "Faço música toda hora. Meus raps são meus diários, é meu diálogo, minha forma de extravazar minhas emoções e energias", explica.

Para Don, o rap é um caminho de descobertas e experiências. "O rap nunca fica velho, nunca se esgota. O rap me fez ouvir salsa, mambo, samba de raiz brasileiro. Me fez não ter preconceito com nenhum estilo. Se tiver uma música chinesa que eu curta, vou usar como influência. O rap não tem limites nem fronteiras", ressalta.

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