Audiência discute construção de Arena

Produtora responsável por obra embargada não compareceu ao debate e foi criticada

Auditoria do TCE em Camaragibe teve apoio da Polícia MilitarAuditoria do TCE em Camaragibe teve apoio da Polícia Militar - Foto: Arthur Mota/Folha de Pernambuco

 

Ontem, cinco dias após o cancelamento do FestVerão, que aconteceria em 2017, em Ipojuca, no Litoral Sul, a Alepe realizou uma audiência pública para debater os impactos da construção da Arena Porto, onde seria realizado o evento. A obra é alvo de polêmicas por supostas irregularidades ambientais em sua construção e teve a licença do projeto suspensa pela prefeitura na semana passada. O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) enalteceu a importância de preservar a paisagem local e moradores da cidade julgaram que a cidade não tem condições de receber o empreendimento. Por sua vez, a empresa responsável pela Arena e pela festa, a Luan Promoções e Eventos Ltda., aguardada para prestar esclarecimentos sobre a construção na Alepe, não enviou nenhum representante e foi criticada por isto.

A promotora Bianca Barroso contou que o MPPE necessita de mais informações para o processo. “Existe uma divergência entre a CPRH e a prefeitura. A Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH) atesta mata atlântica protegida foi afetada. A prefeitura afirma que não. Precisamos de detalhes técnicos”, avaliou. De acordo com ela, toda a sociedade deve se preocupar. “O empreendedor escolheu o local por causa das belezas naturais e paisagísticas. Todos devem entender que preservar o meio ambiente é imprescindível."

A assessora especial da Prefeitura de Ipojuca, Virgínia Pimentel, reafirmou a posição da gestão municipal. “Concedemos a autorização de instalação de um canteiro, de extração de coqueiros de uma área de cinco hectares, além de permissão para terraplanar esta área. Não para construções e nem realização de shows”, disse. A CPRH afirmou que, durante inspeção, a Luan não apresentou a documentação necessária. “Pedimos o embargo das obras, a empresa foi multada e pedimos a recuperação da área em 30 dias”, afirmou o ouvidor do órgão, Jost Paulo. “Até agora, não recebemos nenhum estudo técnico da área.”

A ausência dos representantes da Luan foi criticada pelos presentes. “Nós convocamos a empresa com antecedência. Infelizmente ela, que é uma das maiores interessadas no assunto e que deveria estar aqui, não está presente”, afirmou o deputado estadual Zé Maurício, que presidiu a audiência. Outra audiência está marcada para a próxima quarta-feira (30) em Ipojuca.

Moradores de Ipojuca estenderam faixas com palavras de ordem contra o projeto. “Além do meio ambiente, estamos preocupados com a insegurança, e a falta de um hospital e de infraestrutura. A cidade não comporta tanta gente ao mesmo tempo”, afirmou Milton Petruczok.

 

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