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Comércio

Audiência discute situação de ambulantes

Sindicato, Unicap, Prefeitura e vereador do Recife, Ivan Moraes, definiram um cronograma de reuniões técnicas para tratar do assunto

Audiência discutiu situação de ambulantesAudiência discutiu situação de ambulantes - Foto: Câmara do Recife

A situação dos ambulantes da avenida Conde da Boa Vista ainda não está definido. Nesta quarta-feira, 17, em audiência na câmara dos vereadores, estabeleceu-se que serão realizadas reuniões técnicas com a Prefeitura do Recife, o Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Comércio Informal do Recife (Sintraci), a Universidade Católica de Pernambuco e o mandato do vereador Ivan Moraes (Psol). Os encontros devem reavaliar o contexto reavaliar dos ambulantes e definir o destino deles na Conde da Boa Vista.

Uma pesquisa realizada pelo mandato do vereador Ivan Moraes (PSOL) em parceria com Ana Cecília Cuentro e Marília Gomes do Nascimento, ambas mestras em sociologia pela UFPE, serviu como base para a audiência pública na Câmara do Recife sobre os vendedores ambulantes na Avenida Conde da Boa Vista. Uma grande quantidade de trabalhadores informais, além de representantes do (SINTRACI) estavam presentes.

O vendedor de acessórios para celular, Paulo Sérgio, 50, foi um dos ambulantes que estava presente. Trabalhando há oito anos, ele alega que é cadastrado no sistema do Sindicato, mas não no da Prefeitura. “Eu concordo com a reforma, menos com o que eles propõem para os ambulantes”, conta. Para ele, a melhor solução se daria através da organização dos vendedores que já trabalham na avenida. “Tem que regularizar os que já tem e não permitir a entrada de outros futuramente. Deixar todos os que estão lá só que de forma organizada, diferente do que é agora”.

Além de Ivan Moraes, que mediou a sessão, estavam presentes o Secretário de Mobilidade e Controle Urbano, João Braga, o representante do SINTRACI, Edvaldo Gomes, o engenheiro da EMLURB, Antônio Valdo e a arquiteta Paula Maciel, da Universidade Católica de Pernambuco.

O projeto consta que apenas 60 ambulantes serão recolocados na avenida após a reforma. João Braga ainda afirma que todos os comerciantes informais serão relocados para proximidades da Conde da Boa Vista. “Nós temos um sistema de cadastramento para esses trabalhadores que atualmente constam 75 pessoas. Aos poucos, eles irão realizar o cadastro para que pensemos nas possíveis soluções”, afirmou. A pesquisa afirma ainda que 324 ambulantes atuam na área da Conde da Boa Vista, movimentando mais de 4,5 milhões de reais por ano.

Segundo a pesquisa, o perfil do vendedor ambulante se caracteriza por homens negros que estavam desempregados entre 30 e 60 anos. Mais da metade das barracas tem a jornada de trabalho maior que oito horas por dia, com 82,6% dos entrevistados possuindo dependentes financeiros.

“É importante lembrar que o SINTRACI não é contra a reforma [na Conde da Boa Vista], afinal, quem não quer uma melhoria para sua cidade? Lutamos para que os ambulantes tenham um espaço de trabalho”, afirma o representante do Sindicato, Edvaldo Gomes. “O nosso Sindicato não realiza apenas protesto no meio das ruas, estamos aqui para cobrar uma solução em que o comércio informa esteja incluído”, completa.

Assim como João Braga, o engenheiro da EMLURB Antônio Valdo destaca a mobilidade e acessibilidade do projeto. “Queremos tranquilizar a todos que a Prefeitura não está insensível. A obra vem com uma preocupação social dando maior importância à vida da cidade, que é a Conde da Boa Vista”, aponta. “É tanto que dilatamos a obra para 20 meses a fim de que atenda os desejos e necessidades da cidade”, descreve o engenheiro.

Neste mês, uma reunião na Universidade Católica de Pernambuco foi feita para reunir as possíveis soluções para os ambulantes no novo projeto. A coordenadora do curso de arquitetura da UNICAP, Paula Maciel, apresentou o mapeamento feito por arquitetos. “A nossa ideia de readequação em frente ao Shopping Boa Vista, ponto de maior concentração de ambulantes, assim como um shopping popular para a população visam redistribuir sem eliminar os trabalhadores”, argumenta, “no entanto, isso é só um planejamento prévio, já que as possibilidades devem ser vistas em conjunto com a Prefeitura”.

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