Baixa oferta de linhas esvazia terminais integrados

Um ano após abertos, Prazeres e Santa Luzia têm menos da metade da demanda prevista porque ofertam poucas opções de itinerários. Solução pode demorar

TI Prazeres depende de licitação para mais ônibus circularemTI Prazeres depende de licitação para mais ônibus circularem - Foto: Rafael Furtado/Folha de Pernambuco

 

Inaugurados há um ano com menos da metade das linhas previstas, dois terminais integrados (TI) de ônibus que, juntos, custaram quase R$ 9 milhões, seguem subutilizados no Grande Recife. O de Santa Luzia, na Estância, Zona Oeste da Capital, deveria atender 17 mil passageiros por dia, mas só recebe 4,5 mil. Já pelo de Prazeres, em Jaboatão dos Guararapes, passam apenas oito mil dos 20 mil usuários esperados.

Conforme órgãos ligados ao caso, o impasse é atribuído a questões burocráticas, algumas delas com previsão de desfecho só em 2018. Por interrupções de obras e entraves técnicos, os TIs já haviam sido entregues com atraso de três anos. Quem seria beneficiado pelas linhas ainda não criadas critica a falta de soluções.
Em 9 de abril de 2016, o TI Prazeres foi aberto com duas das seis linhas previstas. Os ônibus até atendem regiões comunitárias, como Porta Larga e Jordão, mas, por fazerem trajetos também cobertos pelo metrô, não geram grande demanda no equipamento de Prazeres.

Diferente seria se linhas alimentadoras e circulares, como as prometidas para bairros como Piedade e Candeias, em Jaboatão, já estivessem em circulação. “Hoje, é um terminal de ‘enfeite’. As linhas que tem não levam nada a lugar nenhum”, criticou a comerciante Marclébia Barbosa. “É quase uma hora para passar um ônibus aí. O resto do tempo, fica assim: sem ônibus e sem filas”, comentou o também vendedor Willamis Silva.
No TI Santa Luzia, a frequência de coletivos é um pouco maior, já que as três linhas que param para embarque e desembarque - 102-Ibura/TI Santa Luzia, 106-Parque da Aeronáutica/TI Santa Luzia e 204-Loteamento Jiquiá/TI Santa Luzia - são alimentadoras.

O problema é que, como a rede, que previa mais seis itinerários, ainda não está completa, faltam opções de deslocamento. “Tinham prometido uma linha para o Centro, linhas de Jardim São Paulo, da Vila Cardeal, mas, até agora, nada. Os ônibus ficam mais parados do que circulam”, critica a gerente de RH Gilda Assis.
Soluções
No caso do TI Prazeres, o impasse é pelo fato de que as linhas alimentadoras devem ser operadas pelo sistema de transporte municipal de Jaboatão, composta de cooperativas e que ainda será licitada. De acordo com o Grande Recife Consórcio de Transporte (GRCT), estudos de racionalização tinham sido apresentados à equipe do prefeito anterior, mas, com a troca de gestão, em janeiro, terão que ser discutidos com os novos responsáveis.

Já a Prefeitura de Jaboatão explicou que está em análise um projeto de lei de autoria do Executivo que prevê a criação de uma nova rede de transporte até 30 de março de 2018, com objetivo de universalizar o atendimento à cidade, inclusive em áreas com menor demanda de passageiros.
Já o TI Santa Luzia, que passou quase um ano pronto, mas sem ser inaugurado, devido à necessidade de adequações num muro que separa a área dos ônibus da do metrô, agora sofre o impasse de comunidades que, segundo o GRCT, resistem à proposta do órgão de terem ônibus integrando no terminal. É o caso de Jardim São Paulo e da Vila Tamandaré. As negociações já duram mais de um ano e ainda não têm previsão de acabar.

 

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