Barato e com má fama, PMMA não deveria ser usado para fins estéticos

Bancária Lilian Calixto, 46, morreu no último domingo (15) após complicações em cirurgia realizada por Denis Cesar Barros Furtado, 45, conhecido em redes sociais como Doutor Bumbum

Denis Barros Furtado, o Dr. Bumbum, foi denunciado pelo MP à justiçaDenis Barros Furtado, o Dr. Bumbum, foi denunciado pelo MP à justiça - Foto: Reprodução/Facebook

A bancária Lilian Calixto, 46, morreu no último domingo (15) após complicações em cirurgia realizada por Denis Cesar Barros Furtado, 45, conhecido em redes sociais como Doutor Bumbum. Além de não ter formação em cirurgia plástica, o médico, que está foragido, realizou o procedimento em sua casa, o que é proibido.

A suspeita é que ela tenha sofrido uma embolia pulmonar devido à aplicação da substância PMMA (polimetilmetacrilato) para preenchimento estético. Não é de hoje, porém, que o PMMA carrega má fama. A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) não recomenda o uso do produto para fins estéticos.

O Conselho Federal de Medicina (CFM) e a SBCP já se manifestaram em 2006 sobre o assunto, condenando sua utilização indiscriminada. Em 2007, após ampla discussão, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu a manipulação da substância em farmácias.

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"Há vários produtos biocompatíveis e seguros, como o ácido hialurônico, que faz parte do corpo. O PMMA é barato, definitivo e traz um monte de riscos, mas as pessoas se enganam pelo sonho, pela mentira, pela fantasia", diz Níveo Steffen, presidente da SBCP. O material é permanente, ou seja, não é absorvido pelo corpo, e pode causar deformações, inflamações, necrose e até a morte. "Imagine se você coloca essa substância solta num tecido como a região glútea. Você levanta, senta, anda, se mexe, e o organismo reage àquilo como um corpo estranho, provocando uma reação inflamatória", diz ele.

O produto é aprovado pela Anvisa, mas indicado em pequenas quantidades como tratamento reparador de lipodistrofia, ou seja, a redistribuição de gordura que pode causar alterações no rosto de pessoas com HIV/Aids. Segundo Steffen, a aplicação ajuda a corrigir essas deformações e a reduzir o estigma. "Depois dessa liberação, percebemos uma deturpação no uso do produto e uma série de problemas nas mais variadas áreas do corpo em grande quantidade, especialmente para dar volume nos glúteos."

No censo de 2017 da SBCP, a entidade incluiu pela primeira vez dados sobre as sequelas dos implantes com PMMA devido ao aumento no número desses casos. Foram feitas 4.432 cirurgias plásticas reparadoras para corrigir problemas decorrentes do PMMA de um total de 664.809.

Já uma pesquisa realizada pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica - Regional São Paulo (SBCP-SP) apontou mais de 17 mil casos de complicações por causa do PMMA entre 2016 e 2017. Para a maioria dos cirurgiões plásticos, o produto deveria ter seu uso e comercialização banidos do mercado nacional.

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