Batalha da Escadaria não abre espaço para preconceito

O evento, que rola no Bairro da Boa Vista, às sextas-feiras, coloca MCs e rappers frente a frente para duelo de versos

Otávio Caique, Ranne França e Cleiton Vasconcelos sempre participam do evento Otávio Caique, Ranne França e Cleiton Vasconcelos sempre participam do evento  - Foto: Arthur de Souza

Acontecem, na esquina da rua do Hospício com a Conde da Boa Vista, no Centro do Recife, competições de versos que emocionam e revelam realidades periféricas. Batizado de Batalha da Escadaria, o encontro de rappers e MCs da Cidade é comandado por Luiz Carlos Ferrer, responsável por organizar as apresentações, que sempre ocorrem sempre às sextas-feiras. Neste dia 2 de agosto, aliás, vai rolar edição a partir das 19h30.

Há 12 anos, depois de fechar ciclo no grupo Inquilinus, Luiz procurou outro meio de alavancar a cena do rap, como uma forma "de deixar a cidade viva". Foi assim, então, que surgiu o evento. Para participar, não precisa ser profissional na história. A presença de curiosos e interessados é mais do que bem-vinda. “Você só precisa chegar meia hora antes da batalha. Depois disso, rola o sorteio de 16 nomes. Formamos as duplas e tudo começa. Só temos um critério que é não ser preconceituoso. Homofobia, machismo e racismo não rola”, explica o organizador.

Luiz revela que só não há espaço para preconceito na batalha

Luiz revela que só não há espaço para preconceito na batalha - Foto: Arthur de Souza/Folha de Pernambuco 

A equipe Batalha da Escadaria é pequena. Luiz Carlos Ferrer, Charles Guedes (designer) e Rostand (videomaker), além da contribuição dos frequentadores do projeto. Um dos mais novos da batalha, Otávio Caique, de 15 anos, conhecido como “A Cuca MC”, conta sobre externar seus pensamentos em forma de rima: “Conheci a batalha em 2016. Eu nem sabia como funcionava direito. Fui me apegando e hoje levo minha arte para os vagões. Mostrando que o rap vai muito além do que eles pensam. Cada ideia que eu mando na batalha tem alguém me observando e absorvendo meus ideais. É muito mais que um rolê. É para a vida”.



Com palavras do fundador, a escadaria é um lugar de educação e formação do ser humano. O machismo, mesmo sendo desconstruído aos poucos na sociedade, ainda é grande barreira na vida. Ranne França, de 30 anos, conhecida como Skull, frequentadora da Batalha da Escadaria há três anos, conta sobre a sua forma de resistência na arte. “Sempre fiz parte de intervenções artísticas. Foi com 27 anos de idade que conheci o rap. Era uma expressão de arte nova e eu percebi que tinha habilidade. Hoje, a batalha que mais frequento é a da escadaria. Eu me identifico com a ideologia do projeto. No começo, foi bem difícil. O feminismo me ajudou a ocupar o meu espaço como forma de resistência. Ser quem eu quiser ser independente de onde esteja”, sentencia. 

Os duelos de verso rolam na Boa Vista

Os duelos de verso rolam na Boa Vista - Foto: Arthur de Souza/Folha de Pernambuco

Já Cleiton Vasconcelos, de 20 anos, que também atua como MC no projeto, lembra que começou a se interessar pelo assunto em 2017, quando ainda estava no colégio. "Meus amigos não tinham coragem de se apresentar em público. Um dia resolvi participar da Batalha da Escadaria e não parei mais. Foi nela que melhorei na forma de expressar meus sentimentos e conheci muita gente importante. Eu me tornei um ser humano melhor”, avalia.


 

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