Beba água com prazer!

Governos, entidades civis e a população marcam presença em campanhas

Data é uma das principais no calendário da saúdeData é uma das principais no calendário da saúde - Foto: Da editoria de Arte

Em 22 de março foi o Dia Mundial da Água, e não faltaram razões nobres para a eleição desta data como uma das principais do calendário de saúde. A cada ano, porém, se tornam mais sérios os alertas para os riscos de esgotamento deste bem tão precioso. Governos, entidades civis e a população mais consciente marcam presença em campanhas, gritando por socorro.

Do ponto de vista do nosso organismo, grande parte de sua composição é de água. Ela é importante para o funcionamento como um todo, participa de inúmeras reações químicas, regula a temperatura corporal, forma o sangue, etc.

Quando os nossos “reservatórios” corporais estão com o “nível baixo”, vários mecanismos entram em ação para estimular a ingestão e quando falta água, surge a desidratação. Dependendo do grau, corre-se o risco de morrer.

Os bebês de até seis meses, quando amamentados exclusivamente ao seio, têm o seu suprimento de água contido no próprio leite materno, e é por isso que as recomendações salientam ser desnecessário ofertar água à parte. Esta é, ao que sabemos, a única exceção da ingesta de água pura como imprescindível à manutenção dos tais reservatórios corporais.

Crianças e idosos são mais sujeitos a desidratar, e por isso deve-se ter para com eles o que chamamos “oferta ativa”: ao invés de esperar que busquem beber água espontaneamente, devemos a cada intervalo de duas horas lhes servir um copo, aproximadamente.

Como estímulo, e se não houver contraindicações, é válido oferecer chás, água de coco e sucos para eles, como parte do suprimento diário. Isto não deve ser a regra. Quanto mais cedo se estimula uma criança a gostar de água pura, sem disfarçá-la com outros sabores, melhor é a aceitação.

No exercício da profissão eu me deparei inúmeras vezes com o sofrimento de pessoas cujas indicações terapêuticas lhes impunham a restrição de água, seja de caráter transitório (como o jejum para exames ou cirurgias), seja de caráter mais específico (como no chamado tratamento conservador da insuficiência renal crônica).

 Por analogia, imagino como é difícil sobreviver com tão pouca água, como nas cidades onde a seca tem sido tão implacável. Como será beber água dos barreiros, colhida a tão longa distância de casa, sob o sol tórrido, em tais paragens?

Há um cálculo prático, quanto ao volume que se deve ingerir por dia: em média, 30 ml de água por quilo de peso. Por exemplo: para alguém com 70 Kg, está indicada a ingestão aproximada de 2,100 litros. Se bem que existem pessoas que referem não sentir sede.

Tirando a questão do hábito, há diferenças, sim, na regulação da sede espontânea entre os indivíduos; quem sabe, algum componente hereditário. Mais de uma vez ouvi depoimentos de pessoas da mesma família quanto a isso, justificada esta ocorrência como uma “natural” falta de sede.

Quando se trata de orientar pessoas para a importância do consumo regular de água ao longo do dia, comporto-me com verdadeira ativista. Quem mora numa cidade como a nossa, a qual, em todas as épocas do ano tem o sol brilhando e esquentando os ambientes, deve estar atento a uma necessidade tão vital.

Aqui vale a pena ressaltar que é a água pura que mata a sede! As propagandas de refrigerantes e outras bebidas artificiais me preocupam, sobretudo por causa de tantas substâncias nocivas ou desnecessárias que contêm, como é o caso de corantes, açúcares simples e minerais como o sódio.

Que tal, exercitarmos a gentileza oferecendo (ativamente) água a quem estiver por perto - em casa, na escola, ou no trabalho? Vamos, pois, beber água com prazer!

*É nutricionista e atua no Tribunal de Justiça de Pernambuco no Núcleo do Saúde Legal e escreve quinzenalmente neste espaço