Bebê em Manaus é 1º caso de coronavírus entre indígenas venezuelanos no país

Os indígenas venezuelanos são considerados um grupo de risco por causa da saúde precária

CoronavírusCoronavírus - Foto: Reprodução/Internet

Uma bebê de dois meses com quadro de desnutrição é a primeira indígena warao, etnia de origem venezuelana, a contrair o novo coronavírus no Brasil. Ela morava no abrigo municipal de Manaus, atualmente com cerca de 380 pessoas, onde eles têm relatado falta de água, pouca comida e superlotação.

Os indígenas venezuelanos são considerados um grupo de risco por causa da saúde precária. Somente no ano passado, oito morreram em Manaus, com quadros de doenças respiratórias e desnutrição, entre outras enfermidades.

A criança faz parte de um grupo de 157 waraos transferidos há duas semanas do abrigo municipal no superlotado bairro Alfredo Teixeira, na zona leste, para um centro esportivo adaptado. Ela está internada em um leito clínico e apresenta quadro estável.

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Os waraos começaram a chegar em grandes números ao Brasil a partir de 2017, fugindo da crise venezuelana. Atualmente, estima-se que sejam cerca de 4.000 pessoas, espalhadas por diversas cidades, incluindo Belém, Ribeirão Preto, Campinas, Fortaleza, Rio Branco (AC) e Imperatriz (MA).

Sem alternativas econômicas, as mulheres costumam pedir dinheiro nas ruas, muitas vezes acompanhadas de crianças. Em Manaus, elas continuam nas esquinas, apesar das medidas de isolamento social e de a cidade ser uma das mais críticas do país.

"Neste momento, não tem água, precisamos buscar em baldes", disse à reportagem o cacique José Lisardo Moraleda, na tarde desta terça-feira (14). "A comida que vem é muito pouca. Por isso, as mulheres vão para as ruas, não é muito correto, mas é a única maneira."

Moraleda afirma que o primeiro grupo transferido, que incluía a bebê, morava em um dos cinco blocos do abrigo. "Era o mais insalubre de todos", afirmou.

Na manhã desta terça, um novo grupo de waraos foi levado a outro local pela prefeitura, comandada pelo tucano Arthur Virgílio Neto. O cacique acredita que outros grupos sejam remanejados nos próximos dias.

O estado do Amazonas é o que tem a maior incidência relativa de Covid-19. Nesta terça, foram confirmados mais 209 casos. O número de infectados agora é de 1.484 pessoas, com 90 mortes em decorrência da Covid-19.

Na sexta-feira (10), o hospital de referência, o Delphina Aziz, entrou em colapso. Na segunda-feira (13), a prefeitura abriu um hospital de campanha, com 18 leitos. Nos próximos dias, outros dois hospitais de campanha serão abertos pelos governos estadual e federal.

Em resposta por escrito, Secretaria municipal da Assistência Social (Semasc) afirmou que detectou sintomas de resfriado na bebê durante o processo de realocação para um novo abrigo.

Ela está internada desde o dia 2 de abril, mas o novo coronavírus só foi confirmado nesta segunda-feira (13), quando houve a transferência para o Delphina Aziz.

Por causa da demora de 11 dias no diagnóstico, a Semasc alega que não foi possível saber se o contágio ocorreu no abrigo da Alfredo Teixeira ou no primeiro hospital.

De acordo com a secretaria, a mãe acompanha a filha, enquanto o pai está isolado dentro do novo abrigo. A prefeitura não sabe se eles foram contaminados. Por precaução, todos waraos foram vacinados contra H1N1.

Questionada sobre a falta de água, a Semasc não respondeu. Com relação à comida, afirmou que, nos novos abrigos, são servidas três refeições, enquanto no abrigo principal há entrega de alimentos uma vez por semana e que os waraos se encarregam de prepará-los.

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