Bernardinho deixa muitas lições para seus sucessores

Ninguém, porém, é perfeito e, por isso mesmo, também cometeu erros, principalmente quando não soube administrar a crise envolvendo o levantador Ricardinho

José Neves CabralJosé Neves Cabral - Foto: Paullo Allmeida/Folha de Pernambuco

Bernardo Resende, o Bernardinho, encerrou uma Era na seleção brasileira ao anunciar sua despedida da equipe masculina. Ele notabilizou-se por sua competência, por uma vontade de vencer descomunal e pelas folclóricas caretas e salamaleques à beira das quadras pelo mundo. O saldo foi mais que positivo. Em clubes, campeoníssimo. Nas seleções masculina e feminina, ouros e bronzes olímpicos, frutos de muito trabalho.

Além da capacidade, chamava a atenção em Bernardinho o fato de ser um cidadão consciente no meio do esporte, um segmento nem sempre favorecido por boas cabeças entre os atletas. Nos anos 80, ele era um dos reservas da geração de prata, em Los Angeles. Numa entrevista, fez questão de enaltecer o titular William. "Eu estou na seleção; ele é da seleção", disse, ao avaliar o momento em que vivia.

Nos anos de chumbo da ditadura militar, Bernardinho também não se omitiu, dando entrevistas com ideias claras a respeito da repressão e pregando a volta da democracia.

Carreira encerrada nas quadras, revelou-se um técnico de alto nível, exercendo uma liderança natural sobre a sua geração. Ninguém, porém, é perfeito e, por isso mesmo, também cometeu erros, principalmente quando não soube administrar a crise envolvendo o levantador Ricardinho, um fato que, na minha opinião, retardou a conquista da segunda medalha de ouro do vôlei masculino nas Olimpíadas. Sem seu hábil e inteligente armador, teve que esperar o amadurecimento do filho Bruno para ganhar outro ouro.

Bernardinho sai deixando uma estrada com muitas lições para os mais jovens. Para mim, a principal é de que, para fazer algo bem feito, é preciso envolver-se, mergulhar no que está fazendo, ter uma visão aguçada para as inovações. Na Era Bernardinho, a seleção masculina mostrou todo o potencial do jogador brasileiro, exibindo um repertório que, às vezes, não se repetia de um set a outro, deixando os adversários desconcertados para armar uma marcação eficaz. Que Renan tenha a mesma sorte, até porque encontra um time bem estruturado e uma escola de vôlei com uma marca bem brasileira.

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