Bloqueios no trânsito de SP provocam reclamações até de profissionais de saúde

Medida é uma tentativa para aumentar o isolamento social, que na última segunda estava em 48%, segundo o governo estadual

Avenida 23 de Maio, em São PauloAvenida 23 de Maio, em São Paulo - Foto: NELSON ALMEIDA / AFP

O segundo dia de bloqueios no trânsito da capital paulista, nesta terça-feira (5), provocou congestionamentos e atrasos na chegada ao trabalho, incluindo de profissionais de serviços essenciais, como da área da saúde e da segurança. O paulistano também enfrentou engarrafamentos no primeiro dia de fechamento de vias no município.

A Prefeitura de São Paulo, gestão Bruno Covas (PSDB), montou bloqueios em quatro pontos da cidade, das 6h às 10h, para incentivar os paulistanos a ficarem em casa e, com isso, tentar aumentar o isolamento social, que na segunda-feira (4) estava em 48%, segundo o governo estadual, gestão João Doria (PSDB). Somente faixas de ônibus foram preservadas para a circulação de coletivos, viaturas em serviço e veículos de saúde.

A reportagem esteve por volta das 7h30 no bloqueio da avenida Radial Leste, na altura do viaduto Bresser (zona leste), onde foi gerado um congestionamento de aproximadamente 5 km, segundo apurado com agentes de trânsito no local.

A farmacêutica hospitalar Jaqueline Pillon, 32 anos, estava no engarrafamento tentando chegar ao trabalho, na avenida Paulista, onde deveria ter iniciado o expediente duas horas antes. Ela afirmou ser contra os bloqueios em grandes avenidas. "Em minha opinião, isso deveria ser feito nos bairros, para controlar quem verdadeiramente precisa ir para rua trabalhar e quem não precisa", sugeriu.

Os carros se movimentavam lentamente na zona leste, conforme o semáforo na altura do viaduto Bresser abria para os veículos. Por causa do fluxo quase estático, a enfermeira Jaticiara Aparecida, 35, chegou a verbalizar a um guarda-civil metropolitano para que uma faixa fosse destinada a profissionais de serviços essenciais. Ela mora no Belém (zona leste) e tentava chegar ao trabalho em Indianópolis (zona sul).

"Não imaginei que o trânsito ficaria tão parado hoje [terça]. Isso é uma palhaçada, pois não incentiva as pessoas a ficarem em casa e ainda prejudica profissionais de serviços essenciais, como eu, que já estou atrasada quase uma hora para chegar no serviço", criticou.

Apesar de os corredores de ônibus estarem liberados para veículos de serviços essenciais, por volta das 8h40, uma ambulância tentava abrir caminho entre os carros congestionados na zona leste. Mesmo com motoristas tentando ajudar, desviando seus carros para a lateral da pista, o veículo de socorro demorou cerca de dez minutos para ultrapassar o bloqueio, segundo apurado pela reportagem.

Outro bloqueio foi montado pela prefeitura na zona norte, no cruzamento da avenidas Santos Dumont com a do Estado. O tráfego foi autorizado somente na pista lateral. O casal Creuza Durões, 67, e Wilson Sebastião da Silva, 74, tentava levar o sobrinho de 15 anos, que tem diabetes, até a rodoviária do Tietê, de onde ele seria encaminhado por outro parente até um hospital na Santa Cecília (centro), para um exame.

Porém, eles ficaram presos no congestionamento, no cruzamento da avenida Santos Dumont com a rua Marechal Leitão de Carvalho, a cerca de 2 km do bloqueio da prefeitura. "Sou a favor de conscientizar as pessoas [para manterem o isolamento social]. Mas bloqueio não resolve, precisa fazer campanha na mídia", afirmou Creuza.

A opinião da idosa é compartilhada pelo segurança Décio Ferreira, 47. Já atrasado cerca de uma hora para o trabalho, na região de Luz (centro), ele afirmou que os bloqueios não identificam quem de fato precisa estar nas ruas e quem não precisa. "O ideal, em minha opinião, é fazer campanha de conscientização. Os bloqueios acabam prejudicando os trabalhadores que não podem ficar em casa", afirmou.

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A reportagem se embrenhou no engarrafamento da zona norte, por volta das 9h40. Em aproximadamente 15 minutos, foram percorridos, a duras penas, somente 1 km. Após as 10h, quando o bloqueio foi desmontado pela prefeitura, o trânsito voltou a fluir, mas com grande volume de veículos.

A Prefeitura de São Paulo foi questionada sobre as reclamações dos profissionais de saúde, mas não respondeu até a publicação desta reportagem. Também não disse se vai manter bloqueios nesta quarta-feira (6) e em quais ruas e avenidas.

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