Bolas cruzadas e outros que tais

Num time com a defesa equilibrada, dificilmente uma falha sobressai tanto. Talvez por aí possamos explicar o drama em que se transformou a campanha do Sport para escapar do rebaixamento.

Paulo Câmara (PSB) reclamou de atraso de recursos do Governo FederalPaulo Câmara (PSB) reclamou de atraso de recursos do Governo Federal - Foto: Folhape|Arquivo

Matéria publicada na capa do Caderno de Esportes da Folha de Pernambuco, nesta terça-feira (22), aponta o calcanhar de Aquiles do Sport na temporada: as bolas cruzadas sobre a área. O time levou quase 40% dos tentos em jogadas utilizadas com este fundamento. O número, por si, já denuncia o péssimo trabalho dos treinadores Falcão e Oswaldo Oliveira, que não conseguiram corrigir este erro. Num time com a defesa equilibrada, dificilmente uma falha sobressai tanto. Talvez por aí possamos explicar o drama em que se transformou a campanha do Sport para escapar do rebaixamento.

A defesa rubro-negra sofreu 53 gols neste Brasileiro. É a terceira pior, enquanto o ataque está entre os dez melhores. Numa análise rápida, podemos dizer que o setor ofensivo ajudou a reduzir o impacto dessa trágica falha do setor defensivo, mas não foi o suficiente para evitar que pesasse, como está pesando, na campanha. Tanto que a duas rodadas do fim da competição a equipe ainda corre risco de queda.

Domingo passado, no primeiro gol do Atlético/PR, marcado por André Lima, pudemos assistir a uma síntese do que acontece normalmente. A bola cruzada sobre a área encontra o atacante adversário entrando de frente para o gol, no espaço entre os dois zagueiros, estáticos. Fica evidente que eles estão marcando apenas por zona, esquecendo-se da antecipação, um fundamento básico dos defensores para evitar que o adversário alcance a bola para finalizar. O mais grave naquele primeiro gol é que Magrão fez uma defesa quase milagrosa, à queima-roupa, mas não conseguiu evitar o gol porque a bola, do rebote, voltou exatamente para o mesmo jogador que a cabeceou.

Durante o Brasileiro, vários lances se repetiram na área do Sport com a bola cruzada sendo sempre o algoz do time, sem que os treinadores tomassem uma posição para resolver o problema. Nunca vi ou ouvi uma entrevista de Falcão ou Oswaldo de Oliveira falando em corrigir esta falha. Daniel Paulista até agora não se pronunciou. Nem os jogadores de defesa.

O Sport tem grandes chances de escapar do rebaixamento. Não será nenhuma façanha bater América Mineiro, em BH, ou o Figueirense, no Recife, nestas duas últimas rodadas. Mas cabe ao próximo presidente (haverá eleição no clube, em dezembro) fazer uma reflexão sobre a formação do time, suas qualidades e carências. Nesta temporada, o clube avaliou mal jogadores, contratou errado e liberou alguns que seriam úteis, como o meia Wendell, que está na Ponte Preta. A contratação de jogadores como Mark González e Reinaldo Lenis, por exemplo, são equívocos comprovados, assim como a do volante Paulo Roberto, que nunca fez uma boa partida com a camisa do Sport.

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