Bolsas de estudo são opção de intercâmbio ao invés do Ciência Sem Fronteiras

Com o fim do Ciências Sem Fronteiras para estudantes de graduação, bolsas oferecidas por instituições privadas tornam-se opções ainda melhores para graduandos

Alunos escolhidos no programa Santander UniversidadesAlunos escolhidos no programa Santander Universidades - Foto: Divulgação

“Talvez seja a hora de você sair. Talvez seja a hora de mudar, brilhar. (...) Tudo estará lá quando você voltar. Você é quem terá mudado”, escreve o americano Donald Miller, que deixou a família para viajar pelos Estados Unidos. Ao sair de Serra Talhada, no Sertão de Pernambuco, Alexandre Duarte, de 20 anos, trazia três sonhos para o Recife, como quem escreve uma lista de desejos. Um deles vai ser riscado assim que o estudante embarcar rumo a Universidad Del Desarollo, em Concepción, no Chile. Lá, serão seis meses cursando arquitetura. “Minha mãe já não queria que eu saísse de Serra Talhada para ir ao Recife. Eles querem segurar, mas ao mesmo tempo querem que eu vá e tenha um futuro brilhante.”

Com o fim do Ciências Sem Fronteiras para estudantes de graduação, bolsas oferecidas por instituições privadas são o brilho dos olhos de muitos jovens como ele. Não é à toa que o número de inscrições para o programa Fórmula Santander, no qual o bolsista foi contemplado, ultrapassou 23 mil inscrições País afora. A concorrência, porém, leva em conta os pós-graduandos, que também podem se inscrever. O número final gera uma competição de 230 alunos para cada vaga, muito mais do que a procura por universidades públicas de Pernambuco. Já no ano passado, foram registradas 18 mil inscrições. No total, são 400 instituições de ensino superior conveniadas.

“O crescimento e o balanço são fantásticos. Os jovens estão conhecendo mais a proposta do intercâmbio, as universidades têm divulgado mais e temos aplicativo para ajudar o estudante sobre onde ele deseja morar por um período”, analisou Ronaldo Rondinelli, diretor do Santander Universidades, em entrevista durante a entrega das 100 bolsas de estudos para brasileiros da 7ª edição do projeto. Somente neste ano, os projetos de educação do banco realizaram a distribuição de 3,3 mil bolsas no mundo.

O Auditório de Interlagos, em São Paulo, foi o cenário para a entrega simbólica das bolsas durante o treino do Grande Prêmio do Brasil, que aconteceu na semana passada. Na ocasião, o espanhol Marc Gené, piloto de testes da Ferrari, fez uma analogia entre as vivências de estudar no exterior com o Mundial de Fórmula 1. “Vocês terão a chance de conhecer o mundo, assim como eu, na Fórmula 1, em que tem corridas em muitos continentes”, disse aos bolsistas antes de chamar atenção para a importância do aprendizado de outras línguas, como o inglês, para se comunicar fora do país de origem.

Cada um dos jovens receberá o valor de 5 mil euros e o curso de até seis meses no exterior. São 1.200 universidades conveniadas em 22 países, mas apenas um deles fisgou a futura arquiteta Bruna Rodrigues, de 19 anos, que estuda em Jaboatão dos Guararapes, Região Metropolitana do Recife. As terras portuguesas devem recebê-la em 2017, ano em que vai realizar o sonho de conhecer a Europa. Para os pais, que não têm ensino superior completo, ela conta, a bolsa é uma vitória. “A ficha ainda não caiu. Nem da viagem, nem de estar aqui vendo o treino de Fórmula 1”, contou.

O presidente do Santander Brasil, Sérgio Rial, também participou da cerimônia, comandada pelo pernambucano Caio Braz. "Achamos que a melhor maneira de contribuir para o país é investir em educação", afirmou o executivo. Após a cerimônia, o grupo de jovens encontrou o brasileiro Felipe Massa, piloto da Williams, durante a visita ao paddock do circuito de Interlagos.

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