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Bolsonaro lamenta a "desastrosa e gratuita" crítica de Biden ao Brasil

Biden afirmou na última terça-feira (29) que, se for eleito, reunirá um pacote de US$ 20 bilhões de vários países para impedir o desmatamento no Brasil

Joe BidenJoe Biden - Foto: ALEX WONG / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / Gett

O presidente Jair Bolsonaro lamentou nesta quarta-feira (30) a crítica "desastrosa e gratuita" do candidato democrata à Casa Branca, Joe Biden, ao Brasil para que interrompa o desmatamento na Amazônia, e alertou que a declaração feita na terça-feira coloca em risco a "convivência cordial" entre os dois países.

"Custo entender, como chefe de Estado que reabriu plenamente a sua diplomacia com os Estados Unidos, depois de décadas de governos hostis, tão desastrosa e gratuita declaração", escreveu no Twitter o presidente brasileiro, aliado do republicano Donald Trump.

"Lamentável, Sr. Joe Biden, sob todos os aspectos, lamentável", acrescentou. 

Em seu primeiro debate com Trump, Biden afirmou na última terça-feira (29) que, se for eleito, reunirá um pacote de US$ 20 bilhões de vários países para impedir o desmatamento no Brasil. 

"'Aqui estão US$ 20 bilhões. Parem de desmatar'. Do contrário, isso terá consequências econômicas significativas", ressaltou o democrata. 

"A cobiça de alguns países sobre a Amazônia é uma realidade", escreveu Bolsonaro, que atribui as campanhas contra o desmatamento a interesses estrangeiros sobre as riquezas naturais da região. 

"A externação por alguém que disputa o comando de seu país sinaliza claramente abrir mão de uma convivência cordial e profícua", acrescentou. 

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, foi irônico com a declaração do candidato democrata. 

"Só uma pergunta: a ajuda dos USD 20 bi do Biden, é por ano?", escreveu no Twitter. 

Para Oliver Stuenkel, professor de Relações Internacionais da Fundação Getulio Vargas no Rio, essas declarações cruzadas pressagiam uma relação bilateral com "muitas tensões", caso Biden ganhe as eleições, embora o candidato democrata "queira se aproximar de Bolsonaro para não perdê-lo como aliado no combate contra a ascensão da China". 

"Biden não tem incentivo em ver uma piora na relação com o Brasil, mas como ele também quer um presidente ambientalista, que se importa com a mudança climática, vai ser muito dificil manter uma relação estável", explicou à AFP.

Sob pressão
Bolsonaro, que defende a abertura de áreas protegidas e de Terras Indígenas à mineração e agricultura, garantiu em suas mensagens no microblog que seu governo "está realizando ações sem precedentes para proteger a Amazônia".

"A cooperação dos EUA é bem-vinda, inclusive para projetos de investimento sustentável que criem emprego digno para a população amazônica, tal como tenho conversado com o Presidente Trump", escreveu. 

Em 2019, o desmatamento na Amazônia teve um aumento anual de 85,3%, atingindo um total de 10.123 km2, área equivalente ao território do Líbano.

Em agosto, o desmatamento registrou queda de 21% em relação a agosto do ano passado, embora entre janeiro e agosto a redução tenha sido de apenas 5% em relação ao mesmo período de 2019.

Na semana passada, em seu discurso na Assembleia Geral da ONU, Bolsonaro afirmou que o país é vítima de "uma das mais brutais campanhas de desinformação sobre a Amazônia e o Pantanal". 

Como Trump, o presidente brasileiro é cético em relação às mudanças climáticas. 

No debate, Biden, que lidera as pesquisas, insistiu que, se vencer as eleições, reintegrará os Estados Unidos ao Acordo Climático de Paris, do qual Trump retirou o país. 

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