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Bombeiros encerram buscas em desabamento; Defesa Civil avalia estrutura

Ao todo, 12 pessoas foram resgatadas, sendo que sete precisaram ser encaminhadas para as unidades médicas mais próximas, enquanto que cinco foram atendidas no local

Desabamento em AfogadosDesabamento em Afogados - Foto: Arthur Mota/Folha de Pernambuco

O Corpo de Bombeiros encerrou as buscas por possíveis vítimas do desmoronamento do imóvel próximo à Ponte Alimonda, em Afogados, na Zona Oeste do Recife. A procura estava sendo com base em uma informação inicial de que um pedreiro e um auxiliar de pedreiro poderiam estar soterrados nos escombros. No entanto um trabalhador do ferro velho localizado no térreo da construção avisou que os dois homens tinham largado mais cedo, por volta das 16h dessa quarta-feira (22), e não estavam no local no momento do desabamento, pouco depois das 17h.

Com base nessa nova informação, os bombeiros finalizaram as buscas e fizeram a retirada de grande parte dos escombros com a retroescavadeiras, para viabilizar a entrada da Defesa Civil. 

Com o desabamento, 12 pessoas foram resgatadas - sete precisaram ser encaminhadas para as unidades médicas mais próximas enquanto cinco foram atendidas no local. Uma mulher morreu.

De acordo com Cássio Sinomar, secretário executivo da Defesa Civil, aparentemente, a parte do imóvel que se manteve de pé, corre risco de desabar. Segundo o coronel do Corpo de Bombeiros, Hilário Cavalcanti, uma equipe formada por 40 pessoas foi deslocada até o local para realizar operações de busca e resgate das vítimas.

Segundo o coronel, o corpo da vítima foi encontrado próximo a um poste, que fica em frente aos imóveis atingidos. “Ela tava na parte superior e no meio dos escombros. Tivemos que remover os escombros para fazer a retirada do corpo”, afirmou.

Imagens do Google Street View mostram como era o imóvel que desabou

Imagens do Google Street View mostram como era o imóvel que desabou - Foto: Reprodução/Google Street View

A equipe passou a madrugada toda retirando entulhos e verificando se existem outras pessoas sob os escombros. O local está cercado por faixas. O cenário é de muito entulho, brinquedos retirados, e outros objetos, como caixas d´águas e geladeiras, que foram tiradas de dentro dos imóveis. 

Manuel da Silva era amigo da vítima e do esposo dela, José Marcos Ferreira, conhecido como Brasão. “Eles sempre moraram perto de mim, no Coque. Mas, pelo fato desse imóvel ser mais próximo do trabalho de Brasão, eles se mudaram para cá. Como eles são praticamente parte da minha família, eu vim aqui tentar ver se consigo pegar algum documento dela”, explicou. Ele ainda questionou o fato de a Defesa Civil do Recife não ter tomado iniciativa contra a construção de outros dois imóveis na mesma edificação.

Moradora da parte de trás de um dos imóveis, Luciana Feitosa contou que estava em casa quando a construção começou a desabar. “Não abalou nada onde eu moro, só o barulho mesmo, o fumaceiro. Eu dormi no Coque, na casa de uma amiga”. Ela relatou que reside na edificação há um ano e dois meses e nunca algo do tipo havia acontecido, mas afirmou que sabia do risco oferecido pela construção. “Eu decidi vir mesmo assim porque do lado onde eu moro não tem problema nenhum, do lado de lá é que tinha”. Ela disse, também, que, antes de fechar o aluguel, o dono do imóvel avisou sobre a falta de estrutura das casas. "Eu tô com a mesma roupa desde ontem. Não sei como vou fazer agora, tem que espera a Defesa Civil fazer a vistoria". 

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Por volta das 9h30 desta quinta, a Defesa Civil começou a fazer uma vistoria preliminar para saber se os imóveis que ficaram de pé corriam risco de desabar. Terminada essa fase, os moradores que foram até os imóveis foram autorizados a entrar, de um por um, para retirar pertences de pequenos porte, como documentos e roupas.

Alguns moradores relataram que, em decorrência do desmoronamento, dormiram na calçada, em frente à construção, com as mesmas roupas que passaram o dia inteiro trabalhando e com fome. Bicicletas, documentos, TV´s, e objetos de pequeno porte foram retirados por esses mesmos moradores de seus imóveis. Os trabalhadores responsáveis pela limpeza do local se mostraram surpresos com a dimensão do desabamento. Um deles, relatou que nunca havia trabalhado em uma situação tão triste como essa.

Vítima
Vítima fatal do desabamento, Alba Valéria Guimarães, que tinha entre 40 e 50 anos, era mãe de dois filhos e morava no apartamento havia mais de cinco anos. Com ela, vivia apenas o marido, José Marcos da Silva, de 43 - os filhos não moravam mais com o casal. José havia saído na hora em que o acidente aconteceu e não ficou ferido. 

Irmã de José Marcos e cunhada de Alba, Juliana da Silva, contou ter tomado conhecimento do desabamento pelos noticiários. "Quando eu vi, não acreditei que tinha sido a casa do meu irmão. Foi muito lamentável", disse. Após a tragédia, na quarta-feira (22), José passou a noite na casa de outra irmã da família.

Defesa Civil
O perito da Divisão Especializada em Pericias Patrimoniais (DEPP) Rafael da Mata, da Polícia Científica, juntamente a sua equipe, fez uma análise preliminar sobre a construção. "É uma construção totalmente irregular, sem nenhum padrão construtivo. Foi feita sem nenhum método, sem acompanhamento de engenheiros. É uma construção perigosa e irresponsável. Houve falha construtiva", afirmou.

Ele disse que o próximo passo agora é analisar com mais profundidade a edificação, no intuito de descobrir as reais causas do desmoronamento. A perícia deve terminar em, no minimo, dois dias.

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