Bora cozinhar?

O confinamento é um desafio diário, cozinhar pode ser válvula de escape

Cozinhar ajuda o tempo a passar e a manter a saúdeCozinhar ajuda o tempo a passar e a manter a saúde - Foto: Divulgação

A vida sobre a Terra não para de nos surpreender. A pandemia da COVID-19, doença causada pelo novo corona vírus, trouxe mudanças para todos, em todos os lugares. É fato, que já não somos e nem seremos os mesmos, a partir de então ...

A reclusão no ambiente doméstico, necessária para deter a crescente e veloz transmissão do vírus, fez mudar a rotina dos lares, nos quais as famílias e demais pessoas do grupo de convívio estão reaprendendo a se relacionar.

Há um sem-número de desafios pela frente, no sentido de reequilibrar as necessidades face à real condição da vida nova que se impõe. Dentre estes desafios, o ter que se adaptar a comer em casa com mais frequência. E para comer, há que se atender a um requisito básico: alguém preparar.

Para os que já têm intimidade com a cozinha, seus segredos, suas demandas, e uma razoável disposição para a canseira que advém, é mais fácil, relativamente. Para outros, sem tais habilidades ou desejo, de início poderia até parecer bacana pedir refeições no sistema do tipo delivery. Mas, para sustentar esta prática como rotineira, há o risco dos efeitos colaterais ao bolso e à possível monotonia, se um determinado padrão de refeições se repetir.

Uma das estratégias recomendadas para o resgate do convívio doméstico prazeroso em tempos de isolamento doméstico, sobretudo em famílias com crianças e adolescentes, tem sido a experiência de cozinhar juntos. De fato, cozinhar pode ter um significado especial, para além da ludicidade ou da mera obrigação. Pode servir para a vivência de repassar pequenos segredos culinários, até à transmissão dos valores que representam a cultura alimentar de um povo, após sucessivas gerações. As receitas de família que o digam...

Contudo, o momento de travessia destes tempos difíceis pode trazer ótimas oportunidades, para resistir ao excesso de gulodices e para a construção e a consolidação de hábitos de alimentação mais saudáveis. Por isso trazemos, a título de contribuição, algumas recomendações do Guia Alimentar para a População Brasileira relativos à questão. Vamos recordar?

- priorize receitas com alimentos in natura e minimamente processados, lembrando-se de usar sal, açúcar e gordura com moderação. Seja criativo: limite a quantidade dos alimentos processados, ou mesmo substitua-os por equivalentes mais saudáveis, sempre que possível – o bom e velho feijão com arroz, e até uma feijoada caseira são boas inspirações;

- capriche na higiene dos alimentos e das embalagens, assim que chegarem das feiras, quitandas, mercados, etc., bem como na higiene das bancadas de preparo, dos utensílios e das mãos dos manipuladores, lavando-as com água corrente e sabão, nos intervalos dos procedimentos;

- desenvolva habilidades culinárias garantindo, ao máximo, a segurança alimentar: desde a escolha de alimentos mais saudáveis como os orgânicos, até os cuidados com a conservação e a preservação dos nutrientes. Use e abuse de frutas, verduras e legumes;

- envolva todos os membros do núcleo doméstico nas tarefas de compra de alimentos e no preparo de refeições, e planeje cardápios nos quais estejam contempladas as preferências de todos. E mais: valorize a contribuição das pessoas idosas em todas as fases do planejamento e promova a intergeracionalidade, mesmo quando isto só for possível virtualmente!

* É nutricionista e atua no Tribunal de Justiça de Pernambuco no Núcleo do Programa Saúde Legal. Escreve quinzenalmente neste espaço


 

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