Mundo

Boris Johnson cria comissão sobre desigualdades raciais

A comissão para examinar 'todos os aspectos das desigualdades' no emprego, na saúde e até nos estudos universitários

Boris JohnsonBoris Johnson - Foto: Daniel Leal-Olivas/AFP

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, anunciou a criação de uma comissão sobre as desigualdades raciais, pedindo o combate à "substância" do racismo, e não aos símbolos, em uma alusão às recentes depredações de estátuas à margem dos protestos antirracistas.

"Temos que enfrentar a substância do problema, não os símbolos. Temos que abordar o presente, não tentar reescrever o passado - e isso significa que não podemos, e não devemos, nos envolver em um debate sem fim sobre qual figura histórica bem conhecida é suficientemente pura, ou politicamente correta, para permanecer à vista do público", escreveu o líder conservador em uma coluna no jornal "The Telegraph" nesta segunda-feira (15).

Reconhecendo que "mais precisa ser feito", ele anunciou o estabelecimento de uma comissão para examinar "todos os aspectos das desigualdades" no emprego, na saúde e até nos estudos universitários. Na televisão, Johnson disse que quer "mudar o discurso para acabar com esse sentimento de vitimização e de discriminação", atraindo a ira da oposição. 

"Os negros não fazem papel de vítimas, como Boris indica, eles protestam precisamente porque o tempo para estudar terminou, e agora é o momento de agir", protestou David Lammy, responsável por questões de justiça no Partido Trabalhista.

"É profundamente perturbador - e francamente imaturo - que o Reino Unido ainda esteja debatendo se o racismo realmente existe", ressaltou.

A morte de George Floyd, um negro asfixiado por um policial branco nos Estados Unidos, foi seguida por grandes protestos antirracistas no Reino Unido e em outras partes do mundo.

No sábado, policiais e manifestantes de direita que alegavam "proteger" monumentos de atos de vandalismo entraram em confronto. A polícia prendeu 113 pessoas. 

No "Telegraph", Boris Johnson declarou ser "absolutamente absurdo que grupos de vândalos de extrema direita e criadores de problemas convergissem em Londres com a missão de proteger a estátua de Winston Churchill".

O monumento havia sido vandalizado no fim de semana anterior à margem de manifestações antirracismo provocadas pela morte de George Floyd. A inscrição "era um racista" foi pichada sobre o nome do líder conservador, acusado de ter feito comentários racistas, principalmente contra os indianos.

Churchill "era um herói", escreveu Johnson. 

"Resistirei com todas as minhas forças a qualquer tentativa de remover esta estátua da Praça do Parlamento e, quanto mais cedo pudermos remover a proteção que a cerca, melhor", insistiu.

Em vez dos ataques a estátuas, como a do "comerciante de escravos" Edward Colston, arrancada de seu pedestal por ativistas antirracistas em Bristol (sudoeste da Inglaterra), Boris Johnson se ofereceu para "construir outras e celebrar as pessoas que, de acordo com nossa geração, merecem um monumento".

Veja também

Em Pernambuco, aulas presenciais continuam suspensas até o dia 31 de agosto
Educação

Em Pernambuco, aulas presenciais continuam suspensas até o dia 31 de agosto

Pesquisadores brasileiros apresentam fóssil de lagostim da Antártica
descoberta

Pesquisadores brasileiros apresentam fóssil de lagostim da Antártica