Boris Johnson, da despreocupação com o coronavírus à hospitalização

Em 12 de março, Johnson chamou a pandemia de "a pior crise de saúde pública em uma geração" e alertou que muitos britânicos perderiam entes queridos

Boris JohnsonBoris Johnson - Foto: Daniel Leal-Olivas/AFP

Há um mês, Boris Johnson abordava a crise do coronavírus com descontração e continuou "cumprimentando todos". O Reino Unido é agora um dos países mais atingidos na Europa pela pandemia e, depois de uma semana no hospital, agradeceu às equipes de saúde por terem salvo a sua vida.

"Imunidade coletiva" -
Em 12 de março, Johnson chamou a pandemia de "a pior crise de saúde pública em uma geração" e alertou que muitos britânicos perderiam entes queridos. Mas a estratégia de seu governo continuava a divergir das medidas radicais adotadas por outros países da Europa, onde o confinamento já estava em vigor e as escolas fechadas.

Aos repórteres, Johnson repetia sua recomendação de lavar bem as mãos "durante o tempo necessário para cantar 'Parabéns pra você' duas vezes". Para aqueles com mais de 70 anos, considerados mais vulneráveis ao coronavírus, ele simplesmente desaconselhava ir a um cruzeiro. Essa estratégia, destinada a promover uma "imunidade coletiva", gerou polêmica.

- Mudança e confinamento -
Diante das críticas crescentes, e especialmente após um alarmante estudo científico que anunciava 250.000 mortes se medidas de distanciamento social não fossem tomadas, o governo Johnson começou a mudar de rumo.

Em 16 de março, ele pediu à população que evitasse o contato social "não essencial" e as viagens "desnecessárias", promovendo o teletrabalho. Mas a ordem para fechar escolas, bares, restaurantes, cinemas e academias só veio dias depois, em 20 de março. Em 23 de março, Johnson finalmente se dirigiu ao país pela televisão e ordenou solenemente um confinamento de três semanas.

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- Johnson governa da quarentena -
Quatro dias depois, Johnson pegou todos de surpresa quando anunciou que havia testado positivo para a COVID-19. Ele alegou que seus sintomas eram "leves" e, apesar de se isolar em seu apartamento em Downing Street, continuou trabalhando, usando videoconferências para presidir as reuniões ministeriais.

No entanto, parecia cansado e enfraquecido nas mensagens de vídeo que postava no Twitter para pedir aos britânicos que ficassem em casa. Em 31 de março, tuitou uma foto da primeira reunião do conselho de ministros realizada inteiramente online. Dois dias depois apareceu na porta de sua residência oficial para aplaudir os profissionais da saúde do país.

- Agravamento e hospitalização -
Após os sete dias recomendados pelas autoridades britânicas, o premiê precisa prolongar sua quarentena porque a febre não diminui.

Em 4 de abril, sua companheira grávida, Carrie Symonds, diz que está se recuperando depois de ter sintomas do coronavírus. No entanto, após um excepcional discurso televisionado da rainha pedindo aos britânicos que resiliência, vem a notícia de que o primeiro-ministro está hospitalizado "como medida de precaução" devido a sintomas persistentes, particularmente a febre.

Vinte e quatro horas depois, ele foi transferido para terapia intensiva no Hospital St Thomas, onde recebeu oxigênio, mas não precisou de respirador. Depois de deixar os cuidados intensivos na quinta-feira, permaneceu hospitalizado até este domingo, lendo Tintin, fazendo sudokus e assistindo filmes, segundo a imprensa.

A partir de agora, ele se recuperará na residência oficial de Chequers, no noroeste de Londres. Mas antes ele quis agradecer aos profissionais de saúde que "salvaram sua vida" e, em particular, às enfermeiras presentes na cabeceira da cama por 48 horas.

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