BR-101, um transtorno sem fim

Motoristas que circulam no trecho entre o Jordão e o Ibura sofrem há anos com os buracos, rachaduras e deformações no asfalto. DER promete reforma em novembro

Buracos, ondulações, falhas e rachaduras no asfalto tomam parte da via entre Jaboatão e RecifeBuracos, ondulações, falhas e rachaduras no asfalto tomam parte da via entre Jaboatão e Recife - Foto: Arthur de Souza/Folha de Pernambuco

Entre os motoristas que trafegam pela BR-101, do Litoral Sul em direção ao norte, há um consenso: a condição da rodovia tem se deteriorado a cada ano. Na altura dos bairros do Jordão e do Ibura, na Zona Sul do Recife, por exemplo, buracos, rachaduras e falhas no asfalto obrigam os condutores a desacelerarem bruscamente seus veículos, colocando em risco a vida dos que circulam na região.

Embora a via esteja em reforma desde setembro de 2017, as obras ainda não contemplaram essas seções críticas, o que causa transtorno aos motoristas, que relatam, inclusive, acidentes no local. O Departamento de Estradas de Rodagem (DER), órgão vinculado à Secretaria Estadual de Transportes, informou que a requalificação desses trechos está prevista para ter início em novembro.

Leia também:
Estratégias de trânsito tentam amenizar transtornos na BR-101
Obras provocam congestionamentos na BR-101

O descontentamento com a situação da rodovia é grande, especialmente para aqueles que trabalham com transporte de mercadorias. “São muitos danos materiais, detona todo o carro”, reclamou o motorista Eduardo Cardoso, 48. Ele viaja do Rio Grande do Norte a Pernambuco semanalmente e classifica aquela seção como a pior do seu trajeto. “O pior trecho é esse que liga Jaboatão até a Macaxeira”, disse.

O caminhoneiro David de Araújo, 28, que já viajou até São Paulo, compartilha o mesmo sentimento. “O lugar pior para atravessar é Pernambuco. A partir da [fábrica da] Vitarella já fica ruim”, contou. “Ao invés de andarmos a 70 km/h, temos que ir a 20 km/h, o que torna muito difícil o transporte no Estado.” À noite, dizem, a insegurança aumenta, com essa necessidade de transitar em baixa velocidade.

Vendedor em uma loja de autopeças às margens da rodovia, Evandro Silva, 43, já viu muitos acidentes. “Principalmente com carros de passeio, que quebram muito”, revelou. O funcionário público Arisberto Pereira, 54, já viveu essa situação, no trecho do Ibura. “Um motoqueiro bateu atrás de mim. É horrível, mas, infelizmente, tenho que passar por aqui todos os dias”, lamentou. Ronaldo Matias, 32, já estourou o pneu no mesmo local. “E a condição só piora mais e mais. De dois anos para cá piorou o dobro”, avaliou.
Pesquisa CNT
A situação da BR-101 reflete uma condição vivida em todo País. Segundo a 22ª pesquisa da Confederação Nacional do Transporte (CNT), divulgada ontem, 57% das rodovias brasileiras apresentam algum tipo de deficiência. Pernambuco segue a tendência, com 51,7% das estradas avaliadas como regular, ruim ou péssima. O estudo estima que são necessários R$ 721,20 milhões para ações emergenciais de reconstrução e restauração.

No momento, a obra de requalificação da BR-101 acontece em dois trechos: do terminal de ônibus do Engenho do Meio (km 69) até a lombada eletrônica de Jardim São Paulo (km 71), e do terminal de integração do Barro (km 72) até a Fonte Milagrosa, na Vila dos Milagres (km 74). O DER informou que, embora o prazo para conclusão da requalificação seja maio de 2019, está concentrando esforços para finalizá-la ainda neste ano.

Veja também

"Tomem a vacina que a esperança não deixa de acabar", disse a primeira vacinada em Pernambuco
Coronavírus

"Tomem a vacina que a esperança não deixa de acabar", disse a primeira vacinada em Pernambuco

Momento histórico: vacina contra a Covid-19 é aplicada pela primeira vez em Pernambuco
Coronavírus

Momento histórico: vacina contra a Covid-19 é aplicada pela primeira vez em Pernambuco