Brasil não é o único país a registrar protestos contra isolamento social

Estados Unidos, Canadá e Israel também contaram com manifestações

[92] manifestação[92] manifestação - Foto: Leo Malafaia/Folha de Pernambuco

É falsa a informação de que o Brasil é o único país do mundo a registrar protestos contra o isolamento social em função da pandemia do novo coronavírus. Estados Unidos, Canadá e Israel são algumas nações que tiveram manifestações semelhantes.

A OMS (Organização Mundial da Saúde) defende a quarentena como medida de prevenção à doença em países onde a transmissão da Covid-19 não está controlada. Em todo o mundo, mais de 130 mil pessoas já morreram pelo novo coronavírus, segundo dados desta quarta-feira (15) da Universidade Johns Hopkins, nos EUA, que monitora a doença.

No Brasil, entretanto, grupos estimulados pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) têm defendido o isolamento parcial ou vertical, que consiste em retirar do convívio social apenas os mais suscetíveis à mortalidade pelo novo coronavírus, como pessoas com doenças preexistentes e acima de 60 anos.

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Em abril, simpatizantes do presidente saíram às ruas ao menos duas vezes em São Paulo contra as medidas tomadas pelo governo estadual para combater o vírus. Na semana passada, o governador do estado, João Doria (PSDB), chegou a ameaçar prender quem se aglomerasse.

Os Estados Unidos registraram manifestações semelhantes. Na segunda-feira (13), aproximadamente cem pessoas protestaram no estado de Ohio pela reabertura da economia em frente à sede do governo, segundo o site do canal americano Fox News. Vídeos que circulam nas redes sociais mostram manifestantes segurando cartazes com as mensagens "A cura é pior que o vírus", "Abrir Ohio: queremos nossos direitos de volta" e "Meus direitos inerentes não terminam onde o seu medo começa".

Os EUA se tornaram o epicentro da Covid-19 no mundo. Nesta quarta, o país registrava mais de 600 mil casos confirmados do novo coronavírus e 24.429 mortes. É o país com o maior número de óbitos causados pela doença.

No Canadá, o ministro da Saúde, Adrian Dix, criticou no domingo (12) grupos que pedem o fim do isolamento social. "Não os promovam", afirmou o político, segundo a emissora canadense Global News.

O ministrou respondia a um vídeo que viralizou nas redes sociais mostrando dezenas de pessoas protestando contra o isolamento social na cidade de Vancouver. Nas imagens, é possível ver crianças e idosos aglomerados e sem máscaras. Um dos manifestantes diz que o coronavírus é "fake news".

No mês passado, em Israel, centenas de manifestantes ultraortodoxos também protestaram contra as medidas de quarentena impostas pelo governo. O protesto aconteceu no bairro de Mea Shearim, em Jerusalém. De acordo com o jornal The Times of Israel, manifestantes chegaram a atirar pedras em policiais, e ao menos três pessoas foram detidas.

Na Índia, migrantes se manifestaram contra a extensão do bloqueio. O primeiro-ministro do país, Narendra Modi, ampliou na terça-feira (14) as medidas de isolamento no país de 1,3 bilhão de habitantes até 3 de maio. De acordo com a canal Al Jazeera, sediado no Qatar, pelo menos 1.500 pessoas protestaram em Mumbai.

Desde que Modi decretou o confinamento da população, em março, milhares de trabalhadores tentam voltar para suas casas no interior do país. A medida já levou a demissões em massa. Sem fonte de sustento nem onde ficar, indianos estão enfrentando longas viagens para deixar para trás os grandes centros urbanos onde trabalhavam, como Déli e Mumbai, e retornar às suas cidades de origem. 

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