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Brasil registra recorde de mortos por Covid-19 e abre as portas ao tratamento com cloroquina

Novo coronavírus já matou 320.000 pessoas em todo o mundo e afetou quase cinco milhões

CloroquinaCloroquina - Foto: Secom/Governo do Amazonas

O Brasil, que registrou um recorde de 1.179 mortos por coronavírus nas últimas 24 horas, abriu as portas nesta quarta-feira (20) para o uso da cloroquina contra a Covid-19, que continua a avançar no Chile e em outros países da América Latina, mas parece estar cedendo na Europa.

O novo coronavírus já matou 320.000 pessoas em todo o mundo e afetou quase cinco milhões de pessoas. Além disso, paralisou a vida de mais da metade da humanidade, afundou as economias e causou medo à vida em sociedade, que levará tempo para desaparecer.

Na Europa e na Ásia, a esperança de recuperar gradualmente a vida normal coexiste com o medo de uma segunda onda, mas na América Latina e nos Estados Unidos, o pior ainda está por vir, segundo especialistas.

Em 24 horas, o Brasil registrou 1.179 mortes por coronavírus, o pior balanço diário desde o início da pandemia, que deixou 17.971 vítimas fatais no país até agora e mais de 271.000 infectadas, segundo dados oficiais.

É o país mais afetado da região e o terceiro mais atingido no mundo em número de infecções, depois dos Estados Unidos e da Rússia.

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No entanto, a realidade pode ser muito pior, já que os dados oficiais são questionados por especialistas, que apontam que os números reais podem ser até 15 vezes maiores devido à falta de testes de diagnóstico.

O pico da pandemia está previsto para o início de junho no país, que já registra mais da metade das mais de 30.000 mortes na América Latina e no Caribe. - Aumento dos casos na América Latina -
São Paulo é o epicentro da doença, com 65.995 casos e 5.147 mortes. É seguido pelo Rio de Janeiro, com 3.079 mortes e 27.805 infecções.

Nos estados do norte e nordeste, como Ceará, Amazonas e Pernambuco, a disseminação da doença causa situações dramáticas e sufoca os sistemas de saúde.

Apesar dessa situação, o presidente Jair Bolsonaro continua a se opor às medidas de quarentena e isolamento social implementadas em vários estados e cidades do país.

Em poucas semanas, dois ministros da Saúde deixaram o cargo devido a diferenças com Bolsonaro na gestão da pandemia.

Bolsonaro considera que uma paralisia da economia brasileira poderia causar danos maiores que a própria epidemia e que um número ainda maior de brasileiros morreria ou sofreria suas consequências. "O remédio seria pior que a doença", sustenta o presidente.

Nesta quarta, o ministério da Saúde ampliou sua recomendação para o uso da cloroquina e da hidroxicloroquina em pacientes com sintomas leves do novo coronavírus, combinadas com o antibiótico azitromicina, respondendo a uma solicitação de Bolsonaro, apesar de sua eficácia dividir a comunidade científica mundial.

A prescrição do medicamento, usado para tratar outras doenças como a malária e que até agora era recomendada apenas em casos graves da COVID-19 devido à falta de estudos sobre sua eficácia, será "a critério do médico" e também exigirá o consentimento do paciente, conforme documento divulgado pela pasta.

Como Bolsonaro, o presidente americano Donald Trump se mostrou aberto ao uso da droga e revelou que toma um comprimido de hidroxicloroquina preventivamente todos os dias.

Nesta quarta, Trump voltou a criticar a administração chinesa da crise, alegando que a "incompetência" do país asiático foi o que causou um "massacre mundial".

No Chile, o número de infecções diárias aumentou drasticamente e chegou a 3.520. O país está perto de 50.000 casos, dos quais pelo menos 509 morreram. O Exército está presente nas áreas vulneráveis de Santiago, onde, no dia anterior, cem pessoas confrontaram a polícia enquanto pediam comida e trabalho em plena quarentena total.

"Estamos com fome", "precisamos trabalhar, precisamos de ajuda", gritavam os moradores dos bairros mais vulneráveis de Santiago.

Na capital, mais de 90% dos leitos de terapia intensiva estão ocupados e as autoridades optaram por transferir pacientes para outras províncias do país.

"Estamos em um momento muito complexo, muito difícil, com muita preocupação dos cidadãos", disse o ministro da Saúde, Jaime Mañalich.

Na Argentina, a cidade de Córdoba, a segunda maior do país, com 1,4 milhão de habitantes, teve que reverter a flexibilização da quarentena após detectar um aumento acentuado de infectados, informaram as autoridades. O país contabiliza 8.358 casos e 384 mortes por coronavírus.

Na Venezuela, o toque de recolher foi estendido na fronteira com o Brasil e a Colômbia, que decidiu estender o confinamento até 31 de maio.

A Organização Pan-Americana da Saúde alertou para o impacto "desproporcional" da pandemia sobre os povos indígenas e as mulheres nas Américas, colocando-os entre os grupos vulneráveis que instou a proteger.

Além do custo humano, a pandemia causaria uma contração de 5,2% do PIB este ano na economia sul-americana, segundo o último relatório da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL). Na terça-feira, os países do Fórum para o Progresso da América do Sul (Prosul) concordaram em unir esforços para revitalizar a economia, promover o emprego e o investimento.

- Ouvir o som das ondas -
Os países desenvolvidos têm "lições" para aprender com as "medidas preventivas corajosas" adotadas por alguns países africanos para conter a disseminação da COVID-19, disse o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres.

A África registra cerca de 88.000 infectados e menos de 3.000 mortes, números muito inferiores às previsões terríveis feitas para a região no início da pandemia.

Mas, segundo Guterres, A COVID-19 agravará a pobreza extrema, a desnutrição e a vulnerabilidade a outras doenças dos habitantes do continente.

Na Europa, onde a pandemia matou 168.000 pessoas, o saldo diário de mortes está caindo e as restrições estão sendo gradualmente levantadas.

Na Espanha, nas praias de Barcelona, que estavam abertas por algumas horas para a prática de esportes, o horário de abertura foi prolongado e caminhadas na areia também foram autorizadas

"É como um prêmio, não acredito", diz Adriana Herranz, 33 anos. "Não via o mar havia dois meses (...) ouvir o som das ondas, passear na praia... ansiava por isso", explicou também Helena Prades, psicóloga de 43 anos.

Pouco a pouco, os países europeus vão abrir suas fronteiras para turistas da União Europeia com a intenção de reativar esse setor essencial para suas economias.

O mesmo ocorre na Ásia, o continente onde a pandemia eclodiu em dezembro, na cidade chinesa de Wuhan.

Nesta quarta-feira, na Coreia do Sul, centenas de milhares de estudantes retornaram às escolas após um hiato de mais de dois meses.

À medida que o balanço da pandemia piora, laboratórios e cientistas de todo o mundo trabalham na fabricação de uma vacina ou medicamento que lhes permita retornar às ruas sem medo.

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