Brasil vai do céu ao inferno de um dia para o outro

Depois de fazer um grande esforço para criar uma agenda positiva, o presidente vê sua semana finalizar com a decisão da inclusão do seu nome em inquérito da Lava Jato

De um dia para o outro, o Brasil se tornou uma terra promissora. Ainda em agosto do ano passado, o governo anunciou que a meta de déficit primário de 2017 e 2018 seria de R$ 159 bilhões, admitindo na prática que não conseguiria fechar as contas públicas dentro da previsão orçamentária para estes anos. Em outras palavras, anunciou um tremendo rombo. É um buraco maior do que o previsto anteriormente, de R$ 139 bilhões para 2017 e R$ 129 bilhões em 2018, com graves consequências para a dívida pública.

Na ocasião do anúncio nada animador para a economia nacional, os ministros Henrique Meirelles (Fazenda) e Dyogo de Oliveira (Planejamento) também comunicaram que haveria corte de despesas, afinal, se não há dinheiro, temos que economizar. Os planos previam redução do salário inicial para funcionários públicos, assim como corte no número de cargos federais, congelamento de reajuste para comissionados, aumento da contribuição previdenciária para servidores, entre outras iniciativas.

Pouco meses depois, o governo parece ter esquecido do déficit fiscal e muda o discurso, anunciando o repasse de R$ 2 bilhões em Auxílio Financeiro aos Municípios e perdão de R$ 62 bilhões em dívidas de 90 mil empresas, montante duas vezes acima do esperado pela Receita Federal. Além disso, o novo xerife do governo, o ministro Raul Jungmann veio a público dizer que foi autorizado a contratar mil novos policias federais e rodoviários federais. Ele também anunciou que a sua pasta contará com R$ 2,7 bilhões de orçamento para este ano e não sofrerá nenhum contingenciamento de verba.

Aliados do presidente entendem que é mera coincidência que, em pleno ano eleitoral, ele dê atenção às mazelas do Rio e escolha o tema violência para focar suas ações. Mas, se por um lado Temer tenta criar uma agenda positiva para se cacifar ou cacifar um sucessor, por outro sofre duros golpes. Algo para lhe lembrar que a sujeira não vai facilmente para debaixo do tapete.

Depois de fazer um grande esforço para criar uma agenda positiva, o presidente vê sua semana finalizar com a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, de acatar o pedido da Procuradoria-Geral da República para incluir o seu nome no inquérito da Lava Jato que investiga um jantar oferecido por ele, em 2014. O tal jantar aconteceu no Palácio do Jaburu, onde ele residia na época em que era vice-presidente. Na ocasião, segundo delatores, foi acertado um repasse ilícito de R$ 10 milhões ao seu partido, o MDB.

A decisão de Fachin se soma ao episódio de 25 de fevereiro, quando se tornou público que o Supremo Tribunal Federal havia autorizado a quebra de sigilo bancário e fiscal de investigados no inquérito que apura se o presidente Temer editou um decreto para beneficiar empresas do setor portuário. A edição da Folha Mais deste fim de semana faz aprofundada análise deste contexto. Leitura que recomendo para que se possa ver através da cortina de fumaça que o governo federal estendeu sobre o cenário nacional.

* Editora-chefe da Folha de Pernambuco

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