Adolescente é morto por colega em escola ocupada em Curitiba, diz polícia

Segundo a Secretaria da Segurança, os dois se desentenderam após terem usado uma droga sintética no colégio

Marcelo Brito, que preside o Sindicato dos Servidores, protocolou a denúncia no?MPPEMarcelo Brito, que preside o Sindicato dos Servidores, protocolou a denúncia no?MPPE - Foto: Paullo Allmeida

Um adolescente de 16 anos foi assassinado, segundo a polícia, em uma escola estadual de Curitiba ocupada há 20 dias por estudantes. O crime ocorreu na tarde desta segunda-feira (24).

O adolescente foi morto por outro colega, de 17 anos, que também estava na ocupação do Colégio Estadual Santa Felicidade. Segundo a Secretaria da Segurança, os dois se desentenderam após terem usado uma droga sintética, "balinha", dentro do colégio.

Eles partiram para o confronto, e Mota foi atacado com uma faca de cozinha, na altura do pescoço. O autor do ataque, que pulou o muro e fugiu, foi abordado pela polícia horas depois e, segundo o governo, admitiu o crime. Ele foi apreendido e deve responder por homicídio -o tempo de internação é de três anos.

O Colégio Estadual Santa Felicidade é um das 800 unidades de todo o Estado (de um total de 2.000) ocupadas em protesto contra a medida provisória do governo Michel Temer (PMDB) que prevê a reformulação do ensino médio, com flexibilização do currículo, com disciplinas optativas nas redes pública e particular.

O assassinato do estudante, ainda com suas circunstâncias não esclarecidas, já serviu para acirrar os apelos pró e contra as ocupações das escolas estaduais no Paraná.

Nessa linha de acirramento com os manifestantes, o governador Beto Richa (PSDB) lamentou a morte do estudante em uma rede social e disse que ela merece "uma profunda reflexão da sociedade".

Já na frente do colégio, um grupo de advogados e professores se queixava de que o governo "incitou a violência" contra as ocupações e o culpava pelo ocorrido.

"Esse colégio não tem faca, não tem armas. A culpa dessa morte é do governo do Paraná, que está incitando a violência contra as ocupações", disse a advogada Tânia Mandarino, que defende voluntariamente as ocupações.

Ela diz que outras escolas tiveram tentativas de confronto por manifestantes contrários às ocupações. "O resultado está aí: temos um cadáver", afirmou a advogada.

Clima

No colégio onde o estudante foi assassinado, o clima era de comoção na tarde desta segunda-feira. Somente os pais do aluno e de alguns outros estudantes, além de um grupo de advogados, foram autorizados a entrar.

Gritos e choros eram ouvidos do lado de fora. Pelo menos 12 estudantes estavam no local no momento da morte, e foram interrogados em conjunto pelo delegado que investiga o caso.

A mãe da vítima, segundo Mandarino, estava em estado de choque. "Esse colégio estava numa verdadeira paz", disse a professora Loren Júlia, 45, que dá aulas de português na escola. "Tem todas as regras na entrada." Um cartaz em frente ao colégio diz: "Proibido artigos ilícitos dentro da instituição. Favor deixar na portaria. Não resista."

Ocupações

As ocupações em escolas paranaenses começaram no início de outubro em protesto contra a medida provisória do governo Michel Temer (PMDB) que prevê a reforma do ensino médio.

A medida prevê a flexibilização do currículo, com disciplinas optativas, nas redes pública e particular. Também visa incentivar a expansão do ensino integral. Uma das principais polêmicas envolveu a retirada da exigência de artes, educação física, filosofia e sociologia nessa etapa do ensino.

O governo diz, porém, que elas estarão contempladas, já que a Base Nacional Comum Curricular, que ainda está em discussão, dará essas diretrizes.

Veja também

'Não será comprada', diz Bolsonaro sobre vacina chinesa após Pazuello anunciar aquisição
Coronavac

'Não será comprada', diz Bolsonaro sobre vacina chinesa após Pazuello anunciar aquisição

PF investiga fraudes em licitações da Infraero
Operação

PF investiga fraudes em licitações da Infraero