Alcaçuz ainda está sob controle de detentos e muro deve ser construído neste sábado

Barreira deve dividir facções que atuam no presídio

Presídio de Alcaçuz, em NatalPresídio de Alcaçuz, em Natal - Foto: Andressa Anholete / AFP

O sétimo dia de confronto na Penitenciária Estadual de Alcaçuz, no Rio Grande do Norte, continuou com o interior do prédio sob o controle dos detentos, apesar de não ter havido novos confrontos como os que foram vistos na última quinta-feira (19) e transmitidos ao vivo pela televisão em todo o país. Três feridos foram retirados por cima dos muros da prisão e 11 detentos foram transferidos por ter direito à progressão da pena para o semiaberto.

De acordo com a assessoria de comunicação da Secretaria de Saúde do estado, pelo menos 20 presos já foram retirados de Alcaçuz desde a quinta-feira. A maioria foi resgatada na madrugada desta sexta-feira (20), segundo a pasta. Foi solicitado que o hospital para onde todos foram transferidos seja mantido em sigilo para evitar tentativas de resgate. O estado de saúde do internos também não foi divulgado.

Outros três homens foram retirados nesta tarde por meio de macas içadas pelo Corpo de Bombeiros. O trabalho foi feito com a ajuda de cordas para ultrapassar os altos muros da unidade, já que as forças policiais estaduais têm acesso livre somente à parte de fora.

O secretário de Segurança Pública e Defesa Social do Rio Grande do Norte, Caio César Marques Bezerra, declarou à imprensa nesta noite que a guarda do presídio “está no perímetro externo e nas guaritas”. “O choque e o Bope entraram ontem para definir uma área de não confrontação e estamos mantendo esses limites”, informou. “Temos as guaritas para fazer a proteção e o patrulhamento externo”.

Culto evangélico

Durante todo o dia, diversos veículos da imprensa acompanharam a movimentação interna de Alcaçuz em cima de uma duna próxima ao presídio, onde parentes também observam o interior da unidade. Fotos de um culto evangélico com violão e sistema de som foram divulgadas durante a manhã, além de imagens de presos falando ao celular e do trabalho de transferência de detentos do local, durante a tarde.

A Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejuc) retiraria nesta tarde 17 presos de Alcaçuz - a maioria deles teve a pena migrada do regime fechado para o semibaerto. No entanto, segundo a pasta, cinco deles se negaram a sair. Os outros onze foram transferidos para outra unidade prisional, para onde voltarão diariamente para dormir. O 17° saiu pela “porta da frente”, de acordo com a imprensa local, pois recebeu um alvará de soltura.

Mortos sem resgate

O secretário também confirmou que existem detentos mortos dentro do presídio que ainda não foram retirados. “Não foi possível ainda entrarmos com as equipes de perícia e Polícia Civil, estamos preparando essas operações para o fim de semana, porque isso precisa da investigação de campo, dos exames de campo para confirmar se há novas vítimas fatias – e sabemos que há – e também os feridos que hoje se encontram”, disse.

Ele explicou que a Polícia Militar não está fixa dentro da unidade porque a corporação só entra para conter conflitos. O trabalho permanente deve ser feito por agentes penitenciários. Em entrevista por telefone à Agência Brasil, o Procurador Geral de Justiça do estado, Rinaldo Reis, informou que seis funcionários por turno trabalham no local normalmente. A informação foi confirmada pela presidente do sindicato da categoria, Vilma Batista.

Muro dividirá facções

Como medida emergencial para evitar novos massacres em Alcaçuz, o governo estadual deve começar neste sábado (21) a construir um muro entre os pavilhões para dividir as facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Sindicato do Crime do RN. A previsão foi dada pelo secretário Caio César.

De acordo com a assessoria de comunicação da pasta, inicialmente serão instalados contêineres enquanto o muro – que deverá ser de concreto – é levantado. Ainda não foi divulgada a previsão de término da construção da estrutura. “É imprescindível que haja um obstáculo resistente o suficiente para manter as facções separadas”, defendeu o secretário.

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