Após pedido de prisão, casa de João de Deus amanhece esvaziada e com protesto

Clima na casa é de tensão. 'Não dá mais para ficar aqui', afirma um frequentador

Casa de Dom Inácio, onde o médium João de Deus faz atendimentosCasa de Dom Inácio, onde o médium João de Deus faz atendimentos - Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Um dia após o Ministério Público de Goiás protocolar pedido de prisão do médium João de Deus, a Casa Dom Inácio de Loyola, onde ele atua em Abadiânia, no interior de Goiás, amanheceu em clima de tensão. 

O tradicional silêncio deu lugar a pequenas rodas de conversa onde frequentadores e voluntários comentavam o caso. Nesta quarta (12), a Promotoria de Goiás protocolou pedido de prisão preventiva do médium, acusado de abuso sexual por ex-frequentadoras da Casa.

Por volta das 7h30, a área central do espaço tinha quase todas as cadeiras vazias. Dentro da sala principal, uma fila de cerca de 40 pessoas esperava para entrar em um espaço interno dedicado a orações e meditação — o habitual, porém é ver filas que contornam quase toda a área central.



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A maioria dos visitantes era de outros países. "Se João for preso, a cidade inteira vai chorar", afirma Francisco Lobo, um dos principais encarregados da administração da casa, sobre os impactos à economia do município.

"Todo mundo fica chateado. Até o Beira-Mar, vamos dizer assim, tem o lado bom dele. O João também. Ele sempre foi bom para o povo", disse. Ao contrário dos dias anteriores, funcionários passaram a vetar a possibilidade de entrar com câmeras na instituição. Um carro da Polícia Militar também circula em frente ao local.

"Hoje a energia aqui está pesada", afirmou um frequentador à reportagem, que pediu para não ser identificado por medo de represálias. Após seis meses no centro, ele dizia se preparar para ir embora nesta sexta. "Não dá mais para ficar aqui", disse.

À frente ao portão que dá acesso ao centro, um estrangeiro meditava no meio da pista, em uma espécie de protesto silencioso. "Help João. A meditação começa aqui", dizia o cartaz à sua frente.

Para voluntários da casa, o aviso é uma mensagem à imprensa que se acumula em frente aos portões. "É um protesto dele contra vocês. Cada um se expressa da maneira que acha interessante", afirmou Lobo.

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