Bolsonaro diz que dados de desmate foram 'espancados' para atingir governo

Bolsonaro disse que quem quebrar a sua confiança será demitido sumariamente. Galvão tem mandato no órgão federal até 2020

Presidente Jair BolsonaroPresidente Jair Bolsonaro - Foto: Marcos Corrêa/PR

Após discordar do aumento do desmatamento divulgado em julho, o presidente Jair Bolsonaro voltou a criticar o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e seu diretor, Ricardo Galvão, e afirmou que os dados foram "espancados" com o objetivo de "atingir o nome do Brasil e do atual governo". Bolsonaro disse que quem quebrar a sua confiança será demitido sumariamente. Galvão tem mandato no órgão federal até 2020.

"Se quebrar a confiança, vai ser demitido sumariamente. Perdeu a confiança, no meu entender, isso é uma pena capital", disse. "Eu lamento que alguns tenham mandato, não sei se no caso dele tem mandato ou não. A gente não pode tomar uma decisão mais drástica no tocante a isso, porque o estrago é muito grande", acrescentou.

Bolsonaro disse ainda que não quer fazer "mau juízo" do diretor, mas disse que os dados divulgados são "muito estranhos". "Eu não quero inferir, começar a falar de possíveis ligações com isso ou aquilo, questões pessoais. Mas é muito estranho porque aconteceu num momento em que o Brasil dá sinais claros de que vai recuperar sua economia", afirmou.

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Na mesma entrevista à imprensa, o ministro Ricardo Salles disse ainda que vai reforçar o quadro do corpo técnico do instituto e sugeriu que a interpretação equivocada era de responsabilidade bolsistas do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) que têm "rotatividade de funções".

Salles voltou a falar sobre a adoção de um novo método para apurar a redução da cobertura vegetal na floresta amazônica.

O ministro afirmou que o formato atual, mensurado pelo Sistema Deter (Detecção do Desmatamento em Tempo Real), não detecta de maneira adequada nem os percentuais de aumento nem as regiões de desmatamento.

Bolsonaro repetiu mais de uma vez que, apesar da mudança na metodologia, seu objetivo não é manipular os dados ou abafar aumento do desmatamento. Ele ponderou, contudo, que não houve responsabilidade necessária para divulgar os dados de junho e julho.

Segundo Salles, o governo federal vai fazer um processo licitatório para a contratação de empresas que façam monitoramentos diários, em tempo real e em alta resolução, e combinará os dados captados com os do TerraClass, sistema que mede a regeneração da vegetação e que tem metodologia diferente. Ele é adotado pela Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) e pelo Inpe para medir a produção agrícola em terras já desmatadas.

"O Deter não é medida de desmatamento. A utilização dessas informações para fazer esse sensacionalismo é um erro de análise", disse. "É justamente essa informação de mensurar percentual que o Deter espera fazer, mas não apresenta dados acurados para fazer essa análise", acrescentou.

Com base em imagens de satélites, o Inpe mostrou que mais de 1.000 km² de floresta amazônica foram derrubados na primeira quinzena em julho, aumento de 68% em relação a julho de 2018.

Os dados foram contestados pelo ministro, segundo o qual a avaliação feita pelos satélites do órgão federal tem duplicidade de áreas desmatadas, ou seja, que já tinham sido computadas em meses diferentes, e registros tardios de regiões desmatadas no governo anterior.

"A fórmula adotada até agora não é a mais adequada. É preciso retirar do sensacionalismo que está por trás da divulgação desses percentuais e colocar um pouco de mais racionalidade em um tema que é do interesse de todos os brasileiros", disse.

Em uma exposição em um telão, ele contestou, por exemplo, o dado de junho deste ano, que aponta um aumento de 88% no desmatamento na Amazônia. Segundo ele, retirando o que chamou de equívocos de análise, o total desmatado pode ser menor em pelo menos 31%. Ele, no entanto, não soube dizer quanto seria área desmatada.

"Não estamos negando essa curva tendencial que vem desde 2012", disse. "[Mas] De uma área total de 493 quilômetros, 265 quilômetros não ocorreram em junho de 2019. Então, não corroboram o percentual sensacionalista de 88%", ressaltou.

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