Bolsonaro insinua que Dodge está aparelhando PGR no fim do mandato

Ele comparou com a eleição, no final de uma legislatura, em que o novo presidente não tem autonomia para 'mexer em nada'

Presidente Jair BolsonaroPresidente Jair Bolsonaro - Foto: Marcos Corrêa/PR

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) insinuou neste sábado (31) que a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, estaria aparelhando a PGR, ao fazer, perto do fim de seu mandato, uma série de nomeações de procuradores-regionais eleitorais escolhidos pela categoria nos estados.

As nomeações foram divulgadas pelo Painel deste sábado. Nomes cotados para substituir Dodge na PGR ficaram incomodados com o fato de as nomeações serem para a partir de 1º de outubro, quando ela já não estiver mais no posto -Dodge deixa o comando da Procuradoria dia 17 de setembro.

"Eu tive uma informação aqui. Estão nomeando cargos nos estados a partir de outubro", disse. "Eu não posso ter um PGR, que não defini ainda. Suponha que [Dodge] não seja reconduzida. Uma pessoa que vai chegar e vai estar todo o ministério montado com mandato."

Ele comparou com a eleição, no final de uma legislatura, em que o novo presidente não tem autonomia para "mexer em nada."

Questionado sobre se a procuradora-geral seria a responsável pelas nomeações nos estados, Bolsonaro respondeu: "Só pode ser ela, né. Até tenho por ela muito carinho, estima, consideração", disse. "Espero até que não seja verdade [a informação]."

O presidente também se contradisse ao responder se as nomeações poderiam afetar sua decisão de reconduzi-la ou não ao cargo. "Não vai influenciar em nada. Que vai ter algum peso vai, não tem a menor dúvida. Quero ter um PGR que tenha a bandeira do Brasil na mão e a Constituição na outra, é isso que eu quero."

O Ministério Público Federal dos Estados está no processo de escolha de seus procuradores chefes. O chefe é escolhido em eleição entre os pares. Depois disso, o colégio eleitoral envia os nomes da chapa eleita para a PGR.

Por tradição, o procurador-geral da República apenas publica uma portaria nomeando os escolhidos para o exercício de seus mandatos. Alguns estados, como Minas Gerais, já concluíram o processo e enviaram os nomes para Procuradoria-Geral.

Segundo auxiliares de Dodge ouvidos pela Folha, a própria Raquel deu posse, quando iniciou seu mandato, aos procuradores-chefes atualmente em exercício. Porém, essas autoridades foram escolhidas e nomeadas antes de ela assumir.

Bolsonaro, em diferentes manifestações, já deixou claro que quer colocar pessoas alinhadas às suas posições.

Procurada, a PGR ainda não se pronunciou.

Bolsonaro disse nesta sexta-feira (30) que a escolha do novo procurador-geral da República está entre três nomes, mas não tem data para ocorrer. Ele não quis, no entanto, informar quais são os cotados. "Você está querendo demais", respondeu, ao ser questionado pela imprensa.

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