Bolsonaro planeja viagem aos EUA para se contrapor a Argentina

O roteiro da viagem está sendo esboçado pelo governo brasileiro e deve contar com passagens pela Flórida e por Washington

Presidente Jair Bolsonaro discursa em Pequim, na ChinaPresidente Jair Bolsonaro discursa em Pequim, na China - Foto: Isac Nobrega/PR

O presidente Jair Bolsonaro pretende encerrar seu primeiro ano de governo com uma viagem aos Estados Unidos -a quarta desde que foi eleito ao cargo- e reforçar a imagem de parceria com Donald Trump no momento em que se intensifica o isolamento do Brasil na condução de sua política externa.

Diante da recente reação da esquerda na América do Sul, com protestos populares em países com presidentes de centro-direta, como o Chile, e a volta de líderes de esquerda na Argentina, Bolsonaro recorrerá em novembro aos laços com o aliado americano, em uma agenda que pode incluir um encontro com o republicano.

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O roteiro da viagem está sendo esboçado pelo governo brasileiro e deve contar com passagens pela Flórida e por Washington, com o intuito de tentar melhorar a imagem do Brasil no exterior e atrair investidores estrangeiros para projetos de infraestrutura concedidos à iniciativa privada.

Na nova visita, a ideia é também, de acordo com auxiliares presidenciais, reforçar a relação de proximidade entre Bolsonaro e Trump, em um contraponto ao novo governo da Argentina, e renovar o apoio da base eleitoral do brasileiro, que é entusiasta do alinhamento com os americanos.

Bolsonaro se recusou a cumprimentar Alberto Fernández, presidente eleito no domingo e de centro-esquerda, enquanto o Departamento de Estado dos EUA divulgou nota parabenizando o argentino e se dizendo "pronto para trabalhar juntos" pelos interesses dos dois países.

A ideia de encerrar o ano com mais um deslocamento aos Estados Unidos surgiu após um convite do senador republicano Rick Scott, que se reuniu com Bolsonaro no início de outubro, no Palácio do Planalto.

Na audiência, Scott sugeriu a Bolsonaro que visitasse neste ano a Flórida para ministrar uma palestra a investidores americanos sobre os potenciais de investimento no Brasil. O estado americano, pelo qual o senador foi eleito, é considerado o reduto do eleitor latino conservador nos Estados Unidos.

Em viagem ao Japão, na semana passada, Bolsonaro relatou à Folha de S.Paulo o convite do senador e disse que a viagem deve ocorrer em novembro, mas que falta definir a data exata.

"Ele [Scott] quer reunir empresários deles e nós levarmos alguns dos nossos para investimento, fazer negócio no Brasil. Só está faltando a data. O Brasil tem pressa e devemos aproveitar essa oportunidade, porque temos de decolar na economia", disse.

Na Florida, Bolsonaro também deve se reunir com a comunidade brasileira do estado americano. Ele já havia tentado promover esse encontro nas viagens que fez neste ano aos Estados Unidos, mas nunca conseguiu viabilizá-lo.

A Flórida é um dos principais focos da campanha à reeleição de Trump e tem sido palco do presidente americano na tentativa de fortalecer os laços com sua base, ancorado no discurso anti-imigração ilegal.

Assim como o senador republicano Marco Rubio, que também deve se reunir na Flórida com o presidente brasileiro, Scott é frequentemente elogiado pela família Bolsonaro, alinhada às críticas aos regimes de Cuba e da Venezuela.

O Palácio do Planalto quer aproveitar a viagem à Flórida para que Bolsonaro faça uma parada em Washington e participe do CEO Fórum, encontro de diretores de multinacionais americanas e brasileiras promovido pela Amcham, a Câmara Americana de Comércio.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, e o secretário de comércio exterior, Marcos Troyjo, devem comparecer. O esforço da diplomacia brasileira tem sido o de que, na capital americana, Bolsonaro seja recebido por Trump.

Até o momento, no entanto, o encontro não foi marcado. A expectativa de assessores presidenciais ouvidos pela reportagem é de que, em uma eventual audiência entre os dois, Bolsonaro tente arrancar novo compromisso de Trump de ingresso do Brasil na OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico).

No início do mês, o governo dos Estados Unidos deu respaldo às candidaturas da Argentina e da Romênia, em uma carta enviada ao órgão comercial. O documento, no entanto, não citou o Brasil, mesmo após Trump ter se comprometido a apoiar a candidatura brasileira.

Nesta quinta-feira (31), Bolsonaro encerra uma viagem de mais de dez dias pelo continente asiático. Apesar da grande expectativa da equipe brasileira, até agora nenhum grande acordo comercial foi fechado na passagem dele por Japão, China, Emirados Árabes Unidos, Qatar e Arábia Saudita.

Em novembro, o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, deve vir ao Brasil para formalizar o início das negociações para um acordo entre Mercosul e Japão. Na passagem por Washington, Bolsonaro também pretende abordar com Trump a possibilidade de um acerto do bloco comercial com os Estados Unidos.

Apesar do esforço, tanto o Ministério da Economia como o de Relações Exteriores, a pedido do Palácio do Planalto, têm feito estudos para avaliar os impactos de uma eventual saída do Brasil do Mercosul. No centro do debate, está a resistência da Argentina a uma política de redução da TEC (tarifa externa comum).

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