Cães usados na busca em prédio de SP que desabou não encontram vítimas

Segundo os bombeiros, a reação dos cães farejados indica que as buscas precisarão ser aprofundadas com o uso de máquinas pesadas para poder localizar possíveis vítimas.

Bombeiros em meio aos destroços do prédio que desabouBombeiros em meio aos destroços do prédio que desabou - Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Os cães farejadores utilizados pelas equipes do Corpo de Bombeiros nas buscas de sobreviventes no prédio que desabou nessa terça (1º) no centro de São Paulo, não detectaram, até a fim da tarde de hoje (2), nenhum sinal de pessoas sob a montanha de escombros que restou do edifício. Segundo os bombeiros, a reação dos cães indica que as buscas precisarão ser aprofundadas com o uso de máquinas pesadas.

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“Dois cães estão atuando no momento, esses cães não indicaram nenhum indício de que havia alguma pessoa. Isso é indício de que a gente precisa avançar na escavação. Se o cão não solicitou o seu condutor para nenhum tipo de indício, isso quer dizer que a gente vai ter de escavar um pouco mais. E essa escavação vai demandar as retroescavadeiras”, disse o capitão da corporação Marcos Palumbo.

Até o momento, os bombeiros estão considerando que existam quatro vítimas sob os escombros, dois adultos e duas crianças. Em razão da maior possibilidade de sobrevivência das vítimas nas primeiras 48 horas depois do colapso do edifício, a ação das equipes deverá continuar até a próxima madrugada desta quinta-feira (3) de forma manual, sem o uso de maquinário pesado.

Os quatro são Ricardo (conhecido como Tatuagem pelos desenhos que carregava no corpo), Selma Almeida da Silva, 38, e dois filhos gêmeos, Wendel e Werner, de 9 anos.
Ricardo desapareceu no desabamento do prédio durante tentativa de resgate. A corda que serviria para içá-lo foi encontrada sob os escombros.

Já Selma e os meninos foram incluídos na lista de desaparecidos depois que o vendedor Antonio Ribeiro Francisco, 42, registrou o desaparecimento de sua ex-mulher e dos dois filhos dela. Os irmãos estudam na Escola Estadual Marechal Deodoro, no Bom Retiro, região central, mas não foram à escola nesta quarta-feira. Professores disseram que os meninos eram assíduos e sempre chegavam antes à sala de aula. Por isso todos estranharam a ausência deles. Porém ainda esperam por notícias.

Antonio costumava falar com Selma todos os dias por telefone ou por mensagem. O último telefonema foi na segunda-feira, por volta das 21h, horas antes do incêndio. Depois disso, não conseguiu mais falar com ela. "Quando acordei e ouvi a notícia pelo rádio, liguei pra ela. Mas só dá caixa postal ou fica mudo. Tenho certeza que a Selma estava no prédio porque ela disse que ia dormir", afirmou.

O vendedor disse ainda que falou com familiares de Selma na Bahia e com colegas que trabalhavam com ela na coleta de material reciclado. Segundo ele, ninguém teve notícias dela desde o dia do desaba

Segundo Palumbo, há maior probabilidade da localização de vítimas nos andares mais baixos, e também nos subsolos, que eram usados como moradia. “No subsolo há vigas, há pilares com maior capacidade de sobrecarga. Quem sabe se a gente conseguir chegar nas partes inferiores, onde também havia a maioria das pessoas, a gente pode começar a encontrar alguma vítima”.

No início da noite desta quarta, duas retroescavadeiras trabalham nas beiradas dos escombros, na tentativa de liberar o acesso a uma caixa de energia elétrica da rua, por onde passam cabos com 21 mil volts. Caso o acesso não seja obtido, a energia de todas ruas do entorno terá de ser desligada para a continuidade do trabalho de resgate.

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