Celular de filho suspeito de matar pastor some

Flávio dos Santos Rodrigues confessou ter disparado seis tiros contra o pastor evangélico Anderson do Carmo, 42, no domingo

Anderson e Flordelis eram casados há 25 anosAnderson e Flordelis eram casados há 25 anos - Foto: Reprodução

O celular de Flávio dos Santos Rodrigues, 38, está desaparecido, segundo a delegada Bárbara Lomba, que chefia o inquérito na Divisão de Homicídios de Niterói e São Gonçalo.

Ele confessou ter disparado seis tiros contra o pastor evangélico Anderson do Carmo, 42, no domingo (16), e está preso desde o início da semana devido a uma condenação anterior por violência doméstica. Na quinta (20), a Justiça decretou a prisão temporária de Flávio e do irmão Lucas, 18, também já preso.

Anderson era casado com a deputada federal Flordelis (PSD). O casal tinha 55 filhos, sendo quatro biológicos.

Leia também:
Delegada diz que confissão não define investigação de morte de pastor 

A delegada não coloca a parlamentar como suspeita de envolvimento no homicídio. Na quinta, a TV Globo divulgara que um dos filhos dissera em depoimento que suspeita da participação da deputada e de três filhas no assassinato. Segundo a delegada, a informação é preliminar e outras pessoas deverão ser ouvidas na investigação.

Além do celular de Flávio, o telefone da vítima também está desaparecido."[O celular do pastor] não foi encontrado até hoje. Uma das primeiras medidas foi tentar obter esse celular, que poderia nos dar informações mais precisas e até mesmo elucidar o crime", disse Lomba.

Duas filhas do casal compareceram à delegacia nesta sexta (21) para mostrar dados dos seus celulares, mas não prestaram depoimento. A DH ainda não confirmou se os aparelhos foram apreendidos.

O corpo do pastor tem 30 perfurações de projéteis de uma arma calibre 9 mm. A divergência entre a quantidade de tiros que Flávio afirma ter dado e as perfurações deverão ser esclarecidas pelos legistas, disse a delegada. 

A participação de Lucas dos Santos, 18, seria no auxílio para comprar a arma, segundo o relato dos suspeitos.

A delegada descartou um suposto caso extraconjugal do pastor como eventual motivação para o assassinato. "Nenhuma das pessoas [que depuseram] mencionou isso."

Ela também não corrobora a versão de que houve perseguição por duas motos no domingo antes do crime, citada pela deputada anteriormente.

Este é o segundo ponto da versão inicial dada pela deputada em entrevistas a ser descartado pela polícia –o primeiro fora a hipótese de latrocínio.

A polícia ainda investiga a motivação do crime e a dinâmica do que aconteceu na noite em que o pastor foi morto. "A vítima chegou em casa e, minutos depois, teria voltado ao carro. Não se sabe e não há provas de que alguém a tenha chamado", disse a policial.

"Temos muito trabalho. Não está esclarecida a motivação, se a execução [do assassinato] aconteceu daquela forma que foi narrada, se há mais pessoas envolvidas. O crime foi domingo. A polícia não pode, em uma semana, resolver; tem risco de conduzirmos inadequadamente as investigações."

Veja também

Senador quer criar CPIs sobre ações do governo no enfrentamento da Covid-19
Congresso

Senador quer criar CPIs sobre ações do governo no enfrentamento da Covid-19

Governo autoriza ampliação de vagas do Mais Médicos em Manaus diante de crise na saúde
Mais médicos

Governo autoriza ampliação de vagas do Mais Médicos em Manaus diante de crise na saúde