Clima de guerra na crise do Rio de Janeiro

Protestos contra pacote de arrocho do Governo Estadual foram os mais violentos até agora

Houve confronto entre policiais e manifestantesHouve confronto entre policiais e manifestantes - Foto: yasuyoshi chiba/AFP

O protesto de servidores, no Rio, contra o pacote de medidas fiscais proposto pelo Governo do Estado foi marcado por confrontos, tumultos e agressões a jornalistas. Os manifestantes concentraram-se em frente à Assembleia Legislativa (Alerj) para acompanhar a votação de dois projetos que fazem parte do pacote.

O protesto começou tranquilo e ficou tenso depois que manifestantes tentaram ocupar a escadaria do prédio, derrubando a grade de proteção. A polícia reagiu com bomba de gás, spray de pimenta e até cavalos para conter os manifestantes. Comerciantes do Centro fecharam as portas com medo de depredação.
O pacote prevê cortar o pagamento de cerca de 10 mil beneficiários do aluguel social - em geral, moradores de áreas de risco, que recebem até R$ 500 por mês — e restaurantes populares, onde o almoço custa R$ 2, além de aumentar alíquotas de contribuição previdenciária de servidores ativos e aposentados. O objetivo é economizar R$ 13,3 bilhões ainda este ano com as medidas.
Quatro jornalistas foram agredidos por manifestantes quando faziam a cobertura do protesto. A maioria dos manifestantes era de policiais militares, bombeiros e agentes penitenciários. O repórter Caco Barcelos, da Rede Globo, foi hostilizado e agredido quando gravava uma reportagem.

Ele acabou sendo expulso do local, sob gritos, vaias e agressões físicas. O repórter Guilherme Ramalho, do jornal O Globo, também foi agredido e impedido de trabalhar. O repórter Gustavo Maia, do portal de notícias UOL, teve o celular arrancado de sua mão. Um repórter do G1 teve a máscara de proteção arrancada de seu rosto e ainda levou um soco no braço.
A maioria dos servidores exibia faixas dizendo que pretendem parar de trabalhar caso não recebam o 13º salário. Outra, dos servidores da Justiça, questionava a redução da cobrança de impostos para o setor produtivo. As categorias também cobram diálogo e criticam a convocação de policiais de outros estados para fazer a segurança no Rio. Homens da Força Nacional chegaram na terça-feira para reforçar a segurança na Alerj.
Violência
O governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, disse que a violência não trará benefício ao debate sobre a crise financeira do estado e pediu que manifestantes levem ideias. Pezão defendeu que as medidas buscam dar previsibilidade à folha de pagamento, que, segundo ele, não está garantida para os próximos dois anos.

O governador, porém, começa a dar sinais de que pode retirar alguns pontos. A Alerj discutiu ontem os dois primeiros projetos do pacote de 22 medidas enviadas pelo Governo. As votações devem ocorrer em dezembro.

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