Corpo de líder Waiãpi será exumado e passará por exame no oeste do Amapá

Lideranças indígenas da região denunciam que Emyra foi assassinado após invasão de garimpeiros

Corpo do índio Emyra Waiãpi, 62, será exumadoCorpo do índio Emyra Waiãpi, 62, será exumado - Foto: Divulgação/Polícia Federal

O corpo do índio Emyra Waiãpi, 62, encontrado no dia 23 de julho, numa aldeia da Terra Indígena Waiãpi, no Amapá, será exumado na sexta-feira (2). Por questões de segurança, o Ministério Público Federal no Amapá não informou o horário exato. O procurador da República Rodolfo Lopes, que acompanha o caso, afirmou que o exame deve durar aproximadamente duas horas.

Nesta sexta-feira, um helicóptero do GTA (Grupo Tático Aéreo) da Secretaria de Segurança Pública do Amapá vai até o município de Serra do Navio. De lá, uma equipe irá por via terrestre até a aldeia, no oeste do Amapá, para realizar o transporte do cadáver. A estimativa é de que o corpo chegue ao IML (Instituto de Medicina Legal) de Macapá no fim da manhã.

Lideranças indígenas da região denunciam que Emyra foi assassinado após invasão de garimpeiros. "Ainda não há uma hipótese principal para a morte. Há várias hipóteses que vão sendo descartadas. Depende bastante do resultado do laudo necroscópico", declarou Rodolfo Lopes.

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Nesta quarta-feira (31), o procurador da República se reuniu com duas lideranças Waiãpi, que estavam acompanhadas do senador Randolfe Rodrigues (Rede).
Apesar da tradição indígena, a família de Emyra autorizou a liberação do corpo para realização dos exames.

Os índios relataram que Emyra foi localizado pela esposa em um rio da região. Descreveram que o corpo estava com várias perfurações de faca, com o pescoço amarrado e com os olhos furados.

Em coletiva nesta segunda-feira (29), o Ministério Público do Amapá, com base em dados repassados pela Polícia Federal, afirmou que, até o momento, não havia vestígios de que a Terra Indígena Waiãpi havia sido invadida por garimpeiros.
"Não há indícios de garimpo na área e nem qualquer resquício de não indígenas. Nessa área, não há registro de conflito. Não há resquícios de pegadas, marcas de fogueira ou restos deixados", disse Rodolfo.

Os índios contestam a informação e apontam que a equipe da Polícia Federal que esteve no local não foi atrás das pistas fornecidas por eles que poderiam comprovar a invasão. Questionado quais áreas haviam sido visitadas, o Ministério Público Federal no Amapá comunicou que não sabia precisar. O drone levado pela Polícia Federal não foi utilizado por motivos técnicos.

Os agentes federais acessarem as regiões mais isoladas em dois barcos. Rodolfo Lopes disse acreditar que, até o fim desta semana, o relatório completo da Polícia Federal estará concluído.

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