Delegado refaz contas e aponta dez mortos e 12 desaparecidos no PA

O governo do Pará divulgou oficialmente que haviam cerca de 70 pessoas, entre passageiros e tripulantes, na embarcação

Barco naufragou no Rio Xingu, no ParáBarco naufragou no Rio Xingu, no Pará - Foto: Defesa Civil de Porto de Moz/Divulgação

O delegado responsável pelas investigações do naufrágio de um barco em Porto de Moz, no Pará, calcula que foram 48 e não 70 o número de pessoas atingidas pelo acidente ocorrido nesta terça (22) no rio Xingu.

Os novos números da tragédia apontam que entre as 48 pessoas que estavam a bordo da embarcação "Comandante Ribeiro", 26 sobreviveram, 12 continuam desaparecidas e dez morreram.

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O governo do Pará divulgou oficialmente que haviam cerca de 70 pessoas, entre passageiros e tripulantes, na embarcação. Segundo última atualização do Corpo de Bombeiros divulgada na manhã desta quinta-feira (24), 23 pessoas foram resgatadas, 16 estão desaparecidas e outras dez morreram.

Élcio de Deus, o delegado-titular da única delegacia de Porto de Moz, disse à reportagem que cruzou dados dos bilhetes de viagem emitidos, do número de jantares servidos aos passageiros e de informações prestadas pela tripulação para retificar o total de vítimas.

"Esse número maior de pessoas resultou de uma primeira impressão dos sobreviventes, mas fizemos esse cálculo com base em vários dados porque a embarcação não contava com lista de passageiros", informou o delegado.
Os corpos das dez pessoas -entre elas, uma criança e um bebê- mortas no acidente já foram identificados e periciados, segundo o delegado. Sete eram de Porto de Moz, duas de Altamira e uma de Santarém.

A prioridade agora da polícia será a de investigar as causas do naufrágio. Élcio de Deus disse que os depoimentos prestados pelos sobreviventes ligam a ocorrência de uma tempestade como a maior causa do naufrágio. "Eles disseram que um vendaval muito forte teria atingido a popa [parte traseira da embarcação] e virado o barco."

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet ), que faz a medição oficial das condições climáticas do país, detectou uma concentração de nuvens do tipo cúmulo-nimbo, conhecidas por formar tempestades, na região de Porto de Moz na noite de terça, quando o acidente foi registrado.

Mas o delegado disse que vai apurar as condições de navegabilidade da embarcação e sua capacidade de transporte. O barco foi içado do rio Xingu e será colocado sobre um banco de areia nesta quinta-feira (24) para facilitar o trabalho dos peritos.
Também serão ouvidos mais passageiros e parte da tripulação que sobreviveu ao naufrágio -apenas o comandante do navio morreu. Um dos depoimentos mais esperados é do proprietário da embarcação, que estava a bordo do navio e também se salvou. O empresário, que não teve a identidade revelada, foi resgatado e levado para o Hospital Municipal de Porto de Moz. Ele é de Santarém, mas permanecerá em Porto de Moz para ser ouvido pela polícia.

O delegado também adiantou à reportagem que vai incluir no inquérito policial a informação levantada pelo governo do Pará de que a embarcação fazia transporte clandestino de passageiros. "Só que ainda não podemos falar quais crimes vão pesar contra a empresa que fazia o transporte de passageiros. Tudo ainda é muito recente", disse o delegado.

Veja o nome dos dez mortos do naufrágio

1) Orismar Ribeiro Miranda, 61, de Altamira
2) Luciana de Lima Pires, 28, de Porto de Moz
3) Neiva Nonato Romano, 18, de Porto de Moz
4) Maria Edna Duarte, 57, de Porto de Moz
5) Aurilene Sampaio Miranda, 36, de Porto de Moz
6) Lucivalda Marques Oliveira, 41, de Porto de Moz
7) Rosiane dos Santos Leite, 25, de Porto de Moz
8) Weison Leite de Oliveira, 5, de Porto de Moz
9) Sérgio Henrique da Silva Souza, 1, de Altamira
10) Sebastião, 56, de Santarém

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