Desembargador acusa Imprensa de receber dinheiro do crime organizado

No último dia 27, o TJSP anulou o julgamento que havia condenado 74 policiais militares pelas mortes de 111 presos no episódio que ficou conhecido como massacre do Carandiru

Do Mundo Nada Se LevaDo Mundo Nada Se Leva - Foto: Divulgação

O desembargador Ivan Sartori, um dos responsáveis pela anulação do júri do massacre do Carandiru, sugeriu que a Imprensa paulista recebe dinheiro do crime organizado. O magistrado também afirmou que ONGs de direitos humanos ganhem verba do crime. “Diante da cobertura tendenciosa da Imprensa sobre o caso Carandiru, fico me perguntando se não há dinheiro do crime organizado financiando parte dela, assim como boa parte das autodenominadas organizações de direitos humanos”, escreveu o desembargador em sua página em uma rede social na tarde da última terça-feira (4).

No último dia 27, o Tribunal de Justiça anulou o julgamento que havia condenado 74 policiais militares pelas mortes de 111 presos no episódio que ficou conhecido como massacre do Carandiru. Foi Sartori quem presidiu a sessão. Além de votar pela anulação do júri, o desembargador ainda pediu a absolvição dos réus, sem necessidade de novo júri. Ele afirmou que “não houve massacre no Carandiru, mas sim legítima defesa [por parte dos PMs]”.

O voto foi vencido - os outros dois desembargadores, Edison Brandão e Camilo Léllis, votaram pela anulação, não pela absolvição. Mas ainda há chances de prevalecer - dois outros desembargadores opinarão sobre a questão. Em sua publicação, Sartori também criticou o Ministério Público. Afirmou que o órgão não conseguiu individualizar as ações de cada um dos PMs durante o massacre.

“Que pode algum assassino ter agido ali no meio dos policiais, não se nega. Eu sempre ressalvei isso. Mas, qual é ou são eles? Esse o problema. O Ministério Público não individualizou. Preferiu denunciar de ‘baciada’, como disse um dos julgadores”, escreveu o magistrado. Sartori já ocupou o cargo de presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo entre 2012 e 2013. A reportagem procurou o TJ, mas o órgão ainda não se pronunciou sobre a nota do desembargador.

 

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